O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, criticou nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos comandos da Polícia Federal.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Van Hattem classificou a decisão como um novo “golpe” e apresentou uma série de questionamentos sobre os fundamentos utilizados por Dino para suspender os efeitos da determinação do ministro André Mendonça, que havia afastado os dois dirigentes da PF.
Um dos principais argumentos apresentados pelo deputado é que uma decisão monocrática de um ministro não poderia simplesmente se sobrepor à determinação individual de outro integrante do STF.
“Isso é um golpe, primeiro, porque não se pode desfazer uma decisão monocrática de um ministro por decisão monocrática de outro”, afirmou.
Van Hattem lembrou ainda o caso envolvendo Felipe Martins para sustentar sua crítica. Segundo ele, em situação anterior, Mendonça teria recebido uma reclamação da defesa de Martins contra decisões de Alexandre de Moraes, mas optado por não interferir no caso.
“A minha tese, inclusive na época, é a de que ele poderia avaliar, mas ele preferiu não avaliar e agora o Dino fez aquilo que os próprios ministros do STF, todos eles defendem, que não pode ser feito, que não pode ter uma decisão monocrática sobre outra decisão monocrática feita”, declarou.
Outro ponto levantado por Van Hattem diz respeito à relação entre Flávio Dino e Andrei Rodrigues. O deputado destacou que Rodrigues foi nomeado para comandar a Polícia Federal quando Dino ocupava o Ministério da Justiça durante o governo Lula.
Na avaliação do parlamentar, o fato de Dino ter participado da escolha de Rodrigues deveria ser considerado na análise da decisão que determinou seu retorno ao cargo.
“Esse é o segundo ponto. O André Rodrigues foi nomeado pelo Flávio Dino, quando era ministro da Justiça do Lula, como diretor-geral da Polícia Federal. Ele mandou voltar para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, a pessoa que ele mesmo colocou naquele cargo quando era ministro do Lula.”
O deputado também acusou Dino de atuar politicamente e afirmou que o ministro teria motivos para responder a pedidos de impeachment.
A legitimidade do Partido Novo para provocar o Judiciário foi outro ponto contestado por Van Hattem.
Na decisão que determinou a reintegração dos dirigentes da PF, Dino afirmou que o Novo não integrava a ação penal e, por isso, não poderia requerer o afastamento de Andrei Rodrigues.
Van Hattem rejeitou a interpretação e disse que o partido possui legitimidade para questionar atos que considere irregulares, inclusive por ter representação no Congresso Nacional.
🚨🚨Golpe! Dino manda reintegrar Andrei na PF do Lula!!! pic.twitter.com/6qQbZ73IjJ
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) September 9, 2026
