Das telas para a urna: Silvio Navarro fala com exclusividade ao Direita Online sobre candidatura à Câmara

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Aos 47 anos, depois de décadas dedicadas ao jornalismo político, Silvio Navarro decidiu trocar momentaneamente os microfones e as redações pela disputa eleitoral.

Ex-integrante da Revista Oeste e da Auriverde, além de autor de livro e com uma trajetória marcada pela cobertura da política brasileira, ele se apresenta agora como candidato a deputado federal e aposta na experiência acumulada na imprensa como um de seus principais diferenciais.

Em entrevista exclusiva ao Direita Online, Navarro fala sobre as razões que o levaram a entrar na política e afirma que a decisão surgiu de uma percepção de que era necessário fazer mais do que exercer a atividade jornalística.

Entre suas prioridades para um eventual mandato estão a anistia aos presos e exilados do 8 de Janeiro, o combate à corrupção e uma agenda voltada à segurança pública. Ele também comenta as dificuldades de uma campanha com poucos recursos e concentrada no ambiente digital.

Ao longo da conversa, o candidato ainda avalia o desempenho da direita no Congresso, a relação entre oposição e governo Lula, os desdobramentos do 8 de Janeiro e o papel do Supremo Tribunal Federal.




Navarro declara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, critica os rumos que o jornalismo brasileiro tomou nos últimos anos e projeta os possíveis cenários para o país caso Lula conquiste um quarto mandato. A seguir, confira a entrevista completa.

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Direita Online: Silvio, você é um jornalista com uma carreira consolidada e respeitada, autor de livro e com uma longa trajetória na imprensa. O que o levou, neste momento, a buscar uma das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados? A decisão de entrar na política nasce, de alguma forma, de uma insatisfação com os limites ou rumos do jornalismo?

Silvio: Foi uma decisão muito difícil, justamente pela longa estrada no jornalismo. Mas foi um sentimento que transbordou: estamos diante da eleição importante do nosso tempo. Eu precisava fazer algo mais, algo além do microfone. Ninguém aguenta mais esse ciclo de poder do PT. O país precisa sair do retrovisor da história. O único caminho é eleger Flávio Bolsonaro. Teremos um Bolsonaro de novo na Presidência, até para fazer justiça ao que fizeram com Jair, o grande líder político da direita, que foi silenciado e preso por um crime impossível. Sobre o jornalismo, infelizmente, o jornalismo que eu conheci e iniciei a carreira, ainda na década de 1990, acabou. De um lado, muita gente não aceitou ou não aprendeu a fazer jornalismo à luz das novas plataformas de informação, das redes sociais e da tecnologia. De outro, a militância ideológica de esquerda das redações rasgou a fantasia depois da vitória de Jair Bolsonaro. Deu no que deu.




Direita Online: Todo mandato parlamentar acaba sendo marcado por determinadas prioridades, propostas ou bandeiras. Embora um deputado não seja obrigado a se eleger em torno de um único projeto, você já tem uma causa ou proposta que pretende colocar como prioridade em um eventual mandato?

Silvio: Elenquei três eixos prioritários para o mandato: 1) Batalhar pela Anistia ampla, geral e irrestrita aos presos políticos e exilados por perseguição ideológica contra a direita; 2) Retomar o combate à corrupção, que sempre volta quando o PT chega ao poder – é uma marca indelével do partido; e 3) Segurança pública, com alguns projetos de combate à narcocultura, redução da maioridade penal, endurecimento da legislação penal, castração química para estupradores, fim da ressocialização para pedófilos (prisão perpétua), fim da progressão de regime para crimes hediondos, fim da audiência de custódia, entre outros.




Direita Online: A campanha ainda está no início, mas você já teve tempo de refletir sobre o desafio de disputar uma eleição em um sistema tão amplo e competitivo como o brasileiro? Quais têm sido, até agora, as principais dificuldades e oportunidades dessa experiência, especialmente em relação à estrutura de campanha, financiamento, visibilidade e contato com o eleitor?

Silvio: Minha campanha é modesta, com poucos recursos e direcionada para o digital. A legislação eleitoral impôs uma série de restrições às redes sociais neste ano, o que dificulta o trabalho. Logo, estou enfrentando dificuldades de levar minhas propostas por meio digital. Paralelamente, em algumas cidades, fica claro que o poder econômico desequilibra o certame: basta ver a quantidade de material de campanha circulando, wind banners e afins dos candidatos ricos.




Direita Online: Uma eleição para deputado federal não é apenas uma disputa de ideias, mas também uma disputa por espaço dentro da própria direita. Você terá de concorrer com candidatos que defendem posições semelhantes às suas e disputam o mesmo eleitorado. Como pretende se destacar entre eles?

Silvio: Respeito muito todos os concorrentes da direita. Mas tenho algumas credenciais que, modestamente, eles não têm. Eu conheço o inimigo: sou jornalista político há décadas, tenho essa bagagem e também sei o que o PT fez no verão passado. Ou melhor, em todos os verões. Também não abandonei meus valores, ideais, mudei de lado, como muita gente fez. Sempre segui em linha reta –e à direita.




Direita Online: O Partido Liberal (PL) possui atualmente a maior bancada da Câmara dos Deputados. A direita também tem presença expressiva no Senado e, nas redes sociais, costuma apresentar forte capacidade de mobilização e engajamento. Ao mesmo tempo, Lula enfrenta índices elevados de rejeição. Ainda assim, o atual governo conseguiu aprovar, ao longo destes quatro anos, grande parte de sua agenda no Congresso. A que você atribui esse êxito? Na sua avaliação, a direita tem falhado no trabalho de oposição, fiscalização e contenção das iniciativas do governo?

Silvio: Todo governo tem mais força para avançar no Congresso no primeiro ano, talvez um ano e meio. Depois, no Brasil, sempre surgem eleições no caminho e o jogo embaralha de novo. A Câmara é uma até junho/julho do próximo ano par – surgem eleições municipais, por exemplo. Lula conseguiu alguma coisa no Congresso na seara econômica porque o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, negociou com ministros. Mas as demais pautas a esquerda perdeu: costumes e cerceamento de liberdades, por exemplo. De modo geral, a oposição fez o que estava ao alcance na Câmara. O problema maior é o Senado porque a atual composição não ajuda.




Direita Online: Estes últimos quatro anos foram profundamente marcados pelos acontecimentos de ‘8 de Janeiro’ e pelas consequências políticas e jurídicas daquele episódio. Como você acredita que as futuras gerações interpretarão o ‘8 de Janeiro’ e, principalmente, as decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal contra os envolvidos? Você acredita que, no futuro, haverá revisão histórica ou institucional desses julgamentos, eventualmente por meio de uma comissão ou de mecanismos de reparação do Estado?

Silvio: Eu sou historiador, minha paixão além do jornalismo. Não houve tentativa de golpe. É uma falácia. A História do Brasil tem histórico de golpes, e o 8 de Janeiro não passou nem perto disso. Houve um tumulto, uma catarse, o quebra-quebra, como infelizmente Brasília já viveu tantos. Mas construíram uma narrativa para legitimar a volta de um grupo condenado por corrupção ao poder. Quem construiu? Quem não queria a direita no poder: o Judiciário e a grande imprensa. Além disso, o Judiciário rasgou a Constituição e decidiu legislar e governar o país em consórcio com o PT. Na prática, Lula foi um fantoche. O PT é coadjuvante desse consórcio de poder. Do ponto de vista da perspectiva histórica, o rolar do tempo colocará as coisas no lugar. Os fatos são teimosos, e a tese do “golpe” não parou em pé.




Direita Online: De forma bastante direta e sincera: como você define Flávio Bolsonaro como candidato e como principal nome da direita nesta eleição?

Silvio: Apoio a candidatura do Flávio Bolsonaro desde o primeiro dia. Porque ele foi escolhido pelo maior líder da direita, Jair Bolsonaro, para a missão de representá-lo nas urnas. Quem deveria ser candidato é o Jair, mas, infelizmente, ele foi vítima de um julgamento político e está censurado.




Direita Online: Voltando ao jornalismo: uma das funções fundamentais da imprensa é fiscalizar o poder. Em tese, espera-se que o jornalista mantenha uma postura crítica diante de qualquer governo, justamente para identificar erros, excessos e decisões que possam contrariar o interesse público. Na sua avaliação, como parte significativa da imprensa brasileira acabou se afastando dessa premissa e, em alguns casos, assumindo uma postura de proximidade com o governo? Apenas a dependência de verbas publicitárias e recursos destinados à comunicação explica essa relação entre poder político e grandes veículos de comunicação?

Silvio: Os grandes veículos de comunicação recebem verbas enormes do governo federal. A imprensa viveu uma crise de financiamento com a fuga da publicidade privada, que migrou para o Google e depois para as redes sociais. Com isso, muita gente se sentiu obrigada a reduzir críticas, filtrar conteúdos contra o governo e escalar como articulistas e comentaristas quem topasse defender o PT e as arbitrariedades do Judiciário contra a direita. Criaram rótulos: extrema-direita e toda a profusão de sufixos possíveis. Com o tempo, eles perceberam que fizeram mal ao país e alguns estão tentando pegar o caminho de volta para a independência. Não sei se o público vai aceitar…




Direita Online: Por fim, como você imagina o Brasil em 2030 caso Lula conquiste um quarto mandato presidencial? Que país você acredita que os brasileiros encontrarão ao final desse período e quais seriam, na sua avaliação, os principais riscos — ou eventuais avanços — de mais quatro anos de um governo petista?

Silvio: Prefiro não pensar que Lula vai ter um quarto mandato. Não é saudável para a democracia uma mesma pessoa passar tanto tempo no poder. O PT chegou lá em 2003. Hoje, repete as mesmas promessas – até com a pobreza, Lula diz que acabou umas três ou quatro vezes. Acho que estamos vivendo uma época similar à de Dilma Rousseff. A economia emperrou. A Saúde está largada. E a segurança pública é questão emergencial: ou vencemos o crime organizado, ou perderemos a guerra, inclusive, territorial para os narcoterroristas.

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