A Polícia Federal identificou, durante uma investigação sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência, uma mensagem em que a empresária Roberta Luchsinger encaminhou ao ex-chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, um documento relacionado à possível aquisição de medicamentos à base de canabidiol pelo Ministério da Saúde.
A informação foi divulgada pelo jornal “O Globo”. O material localizado no celular de Roberta apresenta diretrizes para uma eventual contratação de medicamentos derivados da cannabis pelo governo federal, incluindo a possibilidade de dispensa de licitação. À noite, o Jornal Nacional repercutiu a informação. Assista ao fim da reportagem.
Roberta Luchsinger é apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O telefone da empresária foi apreendido durante uma operação realizada no fim de 2025 para investigar irregularidades envolvendo descontos e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nas investigações, a PF identificou que Roberta mantinha relações comerciais com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores do esquema. Segundo a polícia, a empresária teria atuado ao lado do lobista na tentativa de viabilizar um acordo com o Ministério da Saúde.
A suspeita dos investigadores é que a proximidade de Roberta com pessoas ligadas ao governo federal pudesse ser utilizada para facilitar a negociação. Apesar das tratativas, o contrato pretendido não chegou a ser formalizado.
O arquivo encontrado no aparelho da empresária é classificado como “termo de referência”. Esse tipo de documento estabelece requisitos técnicos e condições que orientam uma contratação pública. Neste caso, o conteúdo estava relacionado à aquisição de produtos derivados de canabidiol.
A PF também encontrou documentos semelhantes no celular de um funcionário ligado ao Careca do INSS. Um deles previa a contratação direta, sem processo licitatório, e indicava uma empresa pertencente ao lobista como possível fornecedora.
Os investigadores apuram se a estratégia consistia em preparar previamente as especificações da contratação para, posteriormente, encaminhá-las ao Ministério da Saúde e permitir que o órgão federal publicasse o documento.
Além do episódio envolvendo os medicamentos, a investigação encontrou registros de transferências financeiras entre Roberta Luchsinger e Marcola. Os investigadores também localizaram uma conversa entre os dois sobre a compra de duas joias, avaliadas em aproximadamente R$ 9 mil.
No início de agosto, Marcola afirmou que os valores recebidos da empresária correspondiam a um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, que, segundo ele, já teria sido integralmente quitado. De acordo com sua versão, a aquisição das joias estaria relacionada a esse empréstimo.
As mensagens envolvendo o termo de referência e a negociação das joias fazem parte do conjunto de provas reunido em três inquéritos da Polícia Federal. As apurações investigam possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção e favorecimento de interesses privados dentro de órgãos públicos, inclusive na Presidência da República.
O foco das investigações é um grupo de pessoas que teria relações com Fábio Luís Lula da Silva e que, segundo a PF, pode ter utilizado conexões políticas e institucionais para tentar obter vantagens em negócios com o governo federal.
PF encontra mensagem recebida pelo ex-chefe de gabinete de Lula com documento que traz diretrizes para a compra de medicamentos no SUS.
O documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fabio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
Confira reportagem… pic.twitter.com/d7U8siPk1e
— Jornal Nacional (@jornalnacional) August 20, 2026

