Dólar despenca e bolsa bate recorde após ‘avalanche bolsonarista’

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O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte valorização nesta segunda-feira (5), no primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, considerado uma ‘avalanche bolsonarista’.

A liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a votação à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi acompanhada por uma disparada da Bolsa e pela forte queda do dólar.

O Ibovespa, principal índice da B3, avançou 7,70% e encerrou a sessão aos 206.911,89 pontos. Foi a primeira vez que o indicador terminou um pregão acima dos 200 mil pontos, estabelecendo um novo recorde histórico. Na máxima do dia, chegou a 209.605,70 pontos.

A alta desta segunda-feira também foi a mais intensa do Ibovespa desde março de 2020. O resultado ocorreu em meio à reação dos investidores ao desempenho de Flávio no primeiro turno e ao avanço de candidatos de perfil mais conservador no Congresso.

No mercado de câmbio, o movimento foi igualmente expressivo. O dólar comercial terminou o dia em R$ 5,001, com queda de 4,12%. Durante a sessão, a moeda chegou a ser negociada abaixo dos R$ 5. A cotação de fechamento foi a menor em cerca de cinco meses.

A leitura predominante entre participantes do mercado é de que o resultado eleitoral alterou as expectativas para a política econômica a partir de 2027.

A possibilidade de uma mudança no comando do governo federal, combinada com uma composição mais conservadora do Congresso, passou a ser associada à perspectiva de maior controle das contas públicas e de avanço de medidas consideradas favoráveis ao ambiente de negócios.

A reação, porém, ocorre antes de Flávio Bolsonaro apresentar de forma detalhada como pretende conduzir a economia caso seja eleito. Entre as principais dúvidas estão a composição de sua equipe econômica e a forma como seria executado o ajuste das contas públicas.

O mercado também demonstra preocupação com a trajetória da dívida e, nesse contexto, parte dos investidores interpreta a eventual mudança de governo como possibilidade de uma política fiscal com maior ênfase na contenção das despesas.

Essa avaliação contrasta com a estratégia econômica adotada durante o governo Lula, que tem combinado medidas de controle fiscal com iniciativas voltadas ao aumento da arrecadação.

A valorização não ficou restrita aos ativos negociados no Brasil. Em Nova York, o ETF EWZ, formado principalmente por ações de grandes empresas brasileiras, registrou forte alta, sinalizando aumento do interesse de investidores estrangeiros pelos ativos do país. O movimento ocorreu paralelamente à valorização do real e à queda dos juros futuros.

O desempenho desta segunda-feira transformou a reação pós-eleitoral em um dos movimentos mais fortes já registrados pela Bolsa brasileira depois de um primeiro turno presidencial.

Segundo levantamento citado por veículos especializados, a alta de 7,70% superou com folga o recorde anterior para um primeiro pregão após a primeira etapa da eleição, registrado em 2022, quando o Ibovespa avançou 5,54%.

A euforia, entretanto, representa uma aposta dos investidores sobre os próximos passos da disputa e sobre a política econômica que poderá prevalecer a partir de 2027. O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula está marcado para 25 de outubro. (Foto: PL; Fonte: UOL)

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