O jornal norte-americano Wall Street Journal publicou nesta sexta-feira (12) um artigo em tom crítico sobre o atual momento político brasileiro, classificando como “alarmante” a degradação das instituições democráticas no país. O texto foi assinado por Mary Anastasia O’Grady, colunista especializada em América Latina, que também abordou as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil.
Segundo a análise, as novas tarifas podem ser usadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma forma de justificar a crise fiscal e econômica que já se desenha. Apesar disso, a colunista acredita que tanto Brasil quanto EUA têm a ganhar se optarem pelo caminho da negociação, e cita sinais de que esse diálogo pode acontecer.
Ao mencionar a carta enviada por Donald Trump a Lula, o artigo observa que o presidente americano estaria usando o aumento das tarifas como parte de um “acerto de contas” pessoal e geopolítico. O texto também conecta o episódio à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que Trump enxerga o processo judicial contra o aliado brasileiro como semelhante à sua própria batalha contra o que chama de “ativismo judicial”.
A colunista afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) vem atuando de maneira questionável desde 2019. “Desde 2019, em claro excesso de jurisdição, o Supremo Tribunal Federal do Brasil passou a investigar, processar e julgar casos políticos. O ministro relator do caso de Bolsonaro, Alexandre de Moraes, não esconde seu zelo condenatório”, escreveu O’Grady.
Ela afirma ainda que parte da população vê com desconfiança o processo contra Bolsonaro. “Muitos brasileiros sentem, com razão, que o ex-presidente está sendo perseguido”, pontua. O’Grady lembra que ele foi declarado inelegível até 2030 por criticas. “Em democracias reais, isso se chama liberdade de expressão”, criticou.
A colunista também cita a decisão do STF sobre o Marco Civil da Internet, destacando que empresas como Google e Meta passaram a ser responsabilizadas por conteúdos publicados por terceiros, caso sejam considerados ilegais pela Corte.
“Esse poder de censura entrou em vigor apesar de uma lei de 2014 aprovada pelo Congresso, que isenta empresas de tecnologia da responsabilidade por conteúdo de terceiros”, escreveu ela.
Outro ponto abordado no texto foram as declarações de Lula durante a 17ª Cúpula dos Brics, especialmente sua defesa por uma redução do peso do dólar nas transações entre países do bloco. Para O’Grady, esse posicionamento também pesou na decisão de Trump ao aplicar as tarifas.
Em sua conclusão, a colunista afirma que a postura de Trump, embora tenha como alvo Lula, pode acabar tendo o efeito contrário:
“A estratégia de Trump acaba por afastar os EUA do Brasil, diante da desconfiança histórica em relação à hegemonia americana na região, e que ela pode, inclusive, vir a fortalecer Lula”. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Gazeta do Povo)
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