Messi critica governo Milei, que responde ídolo argentino

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A relação entre o presidente argentino Javier Milei e o principal símbolo do futebol do país, Lionel Messi, passou por um momento de tensão após uma série de declarações envolvendo a questão das Ilhas Malvinas e a situação econômica da Argentina.

O episódio teve início depois da vitória da seleção argentina sobre a Inglaterra, quando os jogadores exibiram no gramado uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas”. A mensagem faz referência à disputa histórica pelo arquipélago, administrado pelo Reino Unido desde 1833 e que foi palco de uma guerra entre os dois países em 1982.

A manifestação dos atletas provocou uma reação de Milei, que afirmou que determinadas atitudes poderiam prejudicar os interesses diplomáticos da Argentina. O presidente declarou que era necessário evitar discursos considerados nacionalistas e criticou o que chamou de “slogans medíocres, nacionalistas e com ranço”.

Milei é conhecido por defender uma aproximação diplomática com o Reino Unido e por demonstrar admiração pela ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que comandava o governo britânico durante a Guerra das Malvinas.

Parte da imprensa argentina interpretou a declaração como uma crítica direta aos jogadores da seleção. Diante da repercussão, o governo posteriormente afirmou que Milei não se referia aos atletas, mas sim a autoridades públicas que ocupam cargos oficiais e cujas declarações podem criar conflitos diplomáticos.

Segundo o Escritório de Resposta Oficial (Opra), órgão ligado ao governo argentino, a fala do presidente era direcionada a pessoas com responsabilidade institucional, e não aos jogadores.

“A referência era dirigida àquelas pessoas que detêm responsabilidade institucional e era inequívoca para qualquer pessoa que ouvisse a entrevista completa, em vez de trechos maliciosos”, afirmou o órgão.

O governo também destacou que os jogadores da seleção têm o direito de defender a causa das Malvinas. “Os jogadores da seleção argentina são cidadãos que defendem uma causa legítima e têm todo o direito de fazê-lo. Nenhum deles ocupa cargo público, nem suas declarações comprometem a posição do Estado”, completou o comunicado.

Messi contra-ataca

A polêmica ganhou uma nova dimensão quando Lionel Messi, após a partida contra a Inglaterra, comentou sobre a realidade de muitos argentinos durante entrevista ao canal TyC Sports.

O capitão da seleção afirmou que a conquista esportiva representa um momento de alegria para uma população que enfrenta dificuldades no dia a dia.

“Estamos orgulhosos e felizes por poder dar essa alegria ao povo. Sabemos que as Copas do Mundo são especiais para nós e nos esquecemos de todas as coisas ruins pelas quais temos que passar, que existem pessoas que estão tendo dificuldades, que não têm emprego, que não conseguem chegar ao fim do mês ou que estão constantemente lutando; em nossa vida, é o que sempre nos tocou”, declarou, em clara cutucada ao presidente argentino.

Messi afirmou ainda que espera que o desempenho da seleção possa oferecer um momento de esperança aos argentinos.

“Ao poder dar a eles esse tipo de alegria de estar em uma final de Copa do Mundo mais uma vez, chegando a duas finais consecutivas, conquistamos algo incrível. Fomos os melhores nos últimos quatro anos e provamos mais uma vez que ninguém nos deu nada de graça e que tudo o que conquistamos foi em campo”, afirmou.

As declarações tiveram forte repercussão porque representaram uma das poucas vezes em que Messi comentou publicamente sobre a situação econômica da Argentina. O jogador, que costuma evitar manifestações políticas, nunca havia feito críticas ou comentários sobre políticas econômicas de governos argentinos anteriores. Nem mesmo sob os diversos governos socialista do país vizinho, quando a inflação disparava, o atacante levantou voz.

Governo Milei responde ao craque

Após a repercussão da fala do camisa 10, o governo argentino decidiu se manifestar oficialmente por meio do Opra.

A Casa Rosada afirmou que Messi estava correto ao dizer que existem argentinos enfrentando dificuldades, mas atribuiu a situação aos governos anteriores, especialmente às administrações ligadas ao kirchnerismo (que Milei não lembrou de citar na Copa passada).

“Em relação às palavras do melhor jogador de futebol da História, Lionel Messi, de que há pessoas que estão passando por momentos difíceis, isso é totalmente verdade”, afirmou o comunicado.

Na sequência, o governo declarou que “duas décadas de declínio kirchnerista não podem ser apagadas em 24 meses”.

A gestão Milei também defendeu as medidas adotadas desde o início do mandato e afirmou que o país estaria em uma situação melhor do que há dois anos.

“Sim, tivemos dois anos de reformas profundas, e o país está infinitamente melhor do que há dois anos, quando havia 60% de pobreza, 20% de extrema pobreza, inflação anual de 15.000%, salários de miséria e uma moeda que se desvalorizava a cada dia… mas ainda há um longo caminho a percorrer. Ninguém prometeu que seria fácil. O caminho é muito árduo, mas é o que fará a Argentina grande novamente”, declarou o governo. (Foto: reprodução Instagram; Fonte: O Globo; Ariel Palacios)

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