Veja carta enviada pelo governo Lula a Trump sobre tarifas

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O governo do Brasil informou, nessa quarta-feira (16), que já enviou uma carta oficial aos Estados Unidos solicitando uma posição clara sobre as tarifas de 50% anunciadas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

O documento foi encaminhado na terça-feira (15), assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, e pelo chanceler Mauro Vieira.

A correspondência é dirigida ao secretário de Comércio norte-americano, Howard Lutnick, e ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e está dividida em cinco tópicos. Em um deles, o governo brasileiro expressa sua “indignação” com a medida unilateral imposta por Washington.

“A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países”, afirma o texto, que ressalta os 200 anos de relações bilaterais.

Alckmin já havia confirmado, no dia anterior, o envio de uma “minuta confidencial de proposta” aos EUA, com sugestões de pontos passíveis de negociação. Segundo o governo, a intenção é encontrar “soluções mutuamente acordadas” para evitar que as penalidades comerciais entrem em vigor no início de agosto.

Na mesma terça-feira, o Palácio do Planalto promoveu uma reunião com representantes da indústria e do agronegócio para discutir estratégias frente às novas tarifas. A principal decisão foi evitar o pedido de prorrogação do prazo de implementação da medida e, em vez disso, tentar reverter as sanções até o dia 31 de julho. Leia a carta abaixo!

“1. O Governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto. A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países. Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas.

2 . Desde antes do anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril de 2025, e de maneira contínua desde então, o Brasil tem dialogado de boa-fé com as autoridades norte-americanas em busca de alternativas para aprimorar o comércio bilateral, apesar de o Brasil acumular com os Estados Unidos grandes déficits comerciais tanto em bens quanto em serviços, que montam, nos últimos 15 anos, a quase US$ 410 bilhões, segundo dados do governo dos Estados Unidos. Para fazer avançar essas negociações, o Brasil solicitou, em diversas ocasiões, que os EUA identificassem áreas específicas de preocupação para o governo norte-americano.

3. Com esse mesmo espírito, o Governo brasileiro apresentou, em 16 de maio de 2025, minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação nas quais poderíamos explorar mais a fundo soluções mutuamente acordadas.

4. O Governo brasileiro ainda aguarda a resposta dos EUA à sua proposta.

5. Com base nessas considerações e à luz da urgência do tema, o Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos EUA sobre a proposta brasileira. O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral.” (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Metrópoles)

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