A Britânia Eletrodomésticos, responsável pela marca Philco, desligou 800 colaboradores de sua unidade industrial localizada em Manaus (AM). A medida representa aproximadamente 30% do total de funcionários da planta, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.
A fábrica, especializada na produção de televisores, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado, foi impactada por uma queda no desempenho comercial desses itens. Em nota oficial, a empresa justificou os desligamentos como parte de um ajuste necessário diante da retração nas vendas e da frustração das projeções de crescimento para 2025.
“Diante desse cenário, foi necessário realizar um ajuste no quadro de colaboradores”, declarou a companhia.
O presidente do sindicato e também dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado, Valdemir Santana, chamou a situação de “atípica”, ressaltando que concorrentes da Philco não seguiram o mesmo caminho. Segundo ele, embora o setor esteja com excesso de estoque, outras empresas optaram apenas por adequações pontuais, sem dispensas em massa. “Tem estoque de TVs, e o produto não está vendendo como vendia antes, mas não houve demissão assim”, disse.
Dados da Eletros, associação do setor eletroeletrônico, mostram que entre janeiro e maio de 2025 houve um pequeno aumento de 0,3% nas vendas de TVs em relação ao mesmo período de 2024. A expectativa para o encerramento do primeiro semestre é de crescimento de 1%, indicando estabilidade no mercado.
Com sede em Curitiba (PR) e unidades também em Joinville (SC), a Britânia esclareceu que os cortes são restritos à planta de Manaus e não devem afetar outros setores ou locais da empresa. “As recentes movimentações fazem parte de um processo de reestruturação pontual compatível com a produção na região”, informou.
As homologações começaram nesta segunda-feira (14) e, segundo o sindicato, os trabalhadores demitidos receberão três cestas básicas e a manutenção do plano de saúde até o fim de agosto. Aqueles com mais de dois anos de empresa terão direito a quatro cestas básicas. Um acordo também foi firmado para que, em caso de novas contratações, os funcionários desligados tenham prioridade na recontratação.
Apesar do impacto, o presidente do sindicato acredita que a recolocação no mercado não será difícil. O Polo Industrial de Manaus registra hoje nível recorde de empregos, com 132 mil postos preenchidos, mas sofre com escassez de mão de obra qualificada.
A última demissão em larga escala na empresa havia ocorrido durante a pandemia, quando a queda abrupta nas vendas afetou os produtos sazonais da linha Philco. (Foto: reprodução logo; Fonte: Estadão)
A Philco, reconhecida hoje como uma tradicional marca de eletrônicos, tem uma história marcada por mudanças e superações desde sua fundação nos Estados Unidos, em 1892. Originalmente, a empresa surgiu com o nome Spencer Company, tendo Thomas Spencer como um dos fundadores. Ainda naquele mesmo ano, passou a se chamar Helios Electric Company e iniciou suas atividades fabricando lâmpadas de arco de carbono — tecnologia que rapidamente se tornaria obsoleta.
A crise veio cedo: em 1893, a fábrica precisou suspender suas operações por duas semanas, e parte das ações teve que ser vendida. O cenário só começou a se estabilizar cinco anos depois, quando Frank Marr, também fundador e então presidente, conseguiu quitar as dívidas e reorganizar a empresa.
O grande ponto de virada ocorreu em 1906, quando a Helios entrou no promissor mercado de baterias para automóveis e veículos comerciais. Com isso, em 25 de julho do mesmo ano, a companhia adotou o nome Philadelphia Storage Battery Company, que daria origem à abreviação Philco.
A nova fase foi marcada por crescimento: a partir de 1909, com a popularização dos faróis elétricos em automóveis, a demanda por baterias disparou, consolidando a Philco como um nome de peso no setor de eletrificação veicular — e preparando o terreno para sua futura expansão no universo dos eletrônicos.
A presença da Philco no Brasil teve início marcante em 1934, quando o icônico rádio modelo “capelinha” começou a ser comercializado no país, tornando-se símbolo de uma nova era na comunicação doméstica. O aparelho, com seu design elegante e som confiável, logo se popularizou entre os brasileiros.
Com o crescimento da demanda, a empresa decidiu se estabelecer de forma definitiva no território nacional. Em 1948, foi inaugurada a primeira fábrica da Philco no Brasil, localizada na cidade do Rio de Janeiro. Ali foram produzidos os primeiros rádios com tecnologia nacional, o que contribuiu significativamente para o desenvolvimento da indústria eletrônica brasileira.
A década seguinte marcou um novo passo: a Philco teve papel essencial na introdução da televisão no Brasil. A empresa passou a fabricar os primeiros aparelhos de TV em preto e branco, colaborando diretamente com a estruturação do novo meio de comunicação no país. Sua atuação foi crucial para que a televisão se tornasse acessível a um número crescente de lares brasileiros ao longo dos anos 1950.
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