O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, fez duras críticas à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente Donald Trump na semana passada.
As declarações ocorreram nesta terça-feira (15), durante uma audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado, convocada para debater os impactos da medida.
Mourão demonstrou descontentamento com a postura do líder americano, classificando a ação como uma ingerência em questões internas do Brasil. “Eu não aceito que o Trump venha meter o bedelho em um caso aqui que é interno nosso. Há uma injustiça sendo praticada contra o presidente Bolsonaro? Há uma injustiça sendo praticada. Mas compete a nós, brasileiros, resolvermos isso”, afirmou o parlamentar.
No dia 9 de julho, o governo Trump comunicou oficialmente a taxação de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, com vigência a partir de 1º de agosto. A justificativa, segundo carta enviada diretamente ao presidente Lula, foi uma reação às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria imposto “ordens de censura secretas e ilegais” contra plataformas digitais norte-americanas.
A medida foi considerada agressiva por autoridades brasileiras. Mourão aproveitou para ampliar sua crítica à ingerência externa no país. “Da mesma forma, caros colegas, que não aceito que o Macron, que a Greta Thunberg, que o Leonardo DiCaprio, venham meter a mão em coisas aqui do Brasil”, declarou o senador, mencionando figuras que já criticaram publicamente a política ambiental brasileira.
Para o ex-vice-presidente, a estratégia adotada por Trump pode ter efeitos negativos para toda a região. “A estratégia que o presidente Trump vem adotando é uma estratégia que vai terminar por prejudicar os interesses das nações americanas”, avaliou.
A medida representa um risco comercial para o Brasil, já que os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação do país, atrás apenas da China. Entre os principais produtos enviados ao território americano estão petróleo, carne, aço e produtos agrícolas, sendo o petróleo o item de maior peso na balança comercial bilateral.
Nos bastidores, o governo brasileiro tem buscado alternativas diplomáticas para tentar reverter ou adiar os efeitos da sobretaxa, enquanto setores do agronegócio e da indústria pressionam por uma resposta firme à decisão de Washington. (Foto: Ag. Senado; Fonte: CNN)

