A Meta está avançando no desenvolvimento de uma pulseira inteligente capaz de transformar movimentos sutis — ou até mesmo a intenção de se mover — em comandos digitais.
A tecnologia, que utiliza eletromiografia de superfície (sEMG), foi detalhada na revista Nature em artigo publicado na quarta-feira (23), revelando resultados promissores tanto para o uso cotidiano quanto para aplicações em acessibilidade.
O acessório interpreta sinais elétricos gerados pelos músculos do antebraço ao receberem comandos do cérebro, mesmo antes do movimento acontecer de fato. Esses sinais são lidos por uma série de eletrodos em contato com a pele do pulso, e decodificados por um modelo de inteligência artificial treinado com dados de milhares de pessoas.
Nos testes, a pulseira foi capaz de transcrever texto “escrito no ar” com uma média de 20,9 palavras por minuto (WPM), resultado próximo ao de pessoas que simulavam escrever sem o dispositivo (25,1 WPM). Apesar de ainda abaixo da média de digitação em teclados de celular (36 WPM), o desempenho foi considerado funcional para tarefas reais.
Outro experimento mediu a taxa de reconhecimento de gestos, alcançando 0,88 gestos por segundo com a pulseira — número inferior aos 1,45 gestos por segundo registrados com o uso de um controle físico.
Já no controle de cursor horizontal, a pulseira foi duas vezes mais lenta que um trackpad comum. Ainda assim, os pesquisadores da Meta argumentam que o foco da tecnologia não é competir com a velocidade de controles tradicionais, mas permitir interações sem o uso das mãos para segurar objetos como celulares ou controles.
A empresa vê o dispositivo como peça-chave para o futuro da realidade aumentada, especialmente em cenários em que teclados e toques em tela não são viáveis — como no uso de óculos inteligentes. Além disso, a pulseira pode representar um avanço importante na acessibilidade.
Em parceria com a Universidade Carnegie Mellon, a Meta está testando o dispositivo com pessoas com lesões na medula espinhal. Mesmo em casos de paralisia total das mãos, os músculos ainda emitem sinais quando o cérebro tenta realizar um movimento — e a pulseira seria capaz de captar essa intenção.
Para contornar a variabilidade dos sinais entre usuários, os cientistas da Meta desenvolveram um modelo de IA “genérico”, treinado com múltiplos dados. Isso porque testes mostraram que um modelo treinado com os dados de uma única pessoa tem desempenho inferior quando aplicado a outra. Segundo o estudo, fatores como a anatomia, o posicionamento dos sensores e o comportamento individual influenciam significativamente os sinais detectados.
A Meta aposta que essa tecnologia será central na próxima geração de interfaces digitais — não apenas por facilitar o controle de dispositivos de forma intuitiva, mas também por abrir portas a usuários com limitações motoras que hoje enfrentam barreiras no acesso à tecnologia. (Foto: divulgação; Fonte: Tecnoblog)
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