Uma declaração de Luiz Inácio Lula da Silva durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, gerou forte repercussão entre militares das Forças Armadas. No discurso, Lula comparou o poder militar dos Estados Unidos com a realidade brasileira, mencionando limitações orçamentárias enfrentadas pelo país.
Ao citar falas recentes do presidente norte-americano Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil “muitas vezes não tem dinheiro nem para comprar bala para treinar”.
A frase rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e passou a ser alvo de críticas de militares da ativa, da reserva e de familiares ligados às corporações.
Em um dos trechos mais comentados do pronunciamento, o petista declarou: “Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU em que ele sozinho é o dono… o que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia pra alguém mandar na gente…. Eu fico olhando e falo: eu não tenho nada. Eu tenho um Exército, a Marinha, a Aeronáutica que muitas vezes não têm dinheiro nem para comprar bala para treinar.”
A fala foi utilizada por Lula para sustentar sua defesa de que o Brasil não deve se envolver em confrontos militares com grandes potências, priorizando a diplomacia, o diálogo e o que chamou de “poder do convencimento” como ferramentas da política externa brasileira.
O presidente Lula disse na última sexta-feira, 23, que muitas vezes o Exército brasileiro não tem dinheiro para comprar uma bala para treinar. A afirmação foi feita em discurso ao MST, quando criticava a decisão do presidente do EUA, Donald Trump, de criar o Conselho da Paz. pic.twitter.com/Bk3WD4CQB7
— Revista Oeste (@revistaoeste) January 25, 2026
Pouco depois da divulgação do discurso, manifestações críticas começaram a circular em redes sociais e em grupos fechados frequentados por militares. O principal foco de insatisfação foi a afirmação relacionada à suposta falta de munição para treinamentos. A reportagem é da revista especializada Sociedade Militar.
Entre as críticas, há o entendimento de que a declaração reforça uma imagem de fragilidade das Forças Armadas no cenário internacional.
Para esses militares, essa percepção não reflete a capacidade operacional das tropas nem o trabalho realizado diariamente nos quartéis. “está desvalorizando as FA, vão pensar que não temos capacidade de nos defender”, escreveu um militar em um grupo restrito no aplicativo WhatsApp.
Outras manifestações apontam que a declaração não corresponde ao cenário atual. Segundo esses relatos, os treinamentos seguem ocorrendo de forma regular, dentro dos parâmetros definidos pelos comandos militares e compatíveis com o orçamento disponível. Há ainda menções de que exercícios de tiro e instruções, tanto básicas quanto avançadas, continuam sendo realizados, ainda que com ajustes no uso de recursos.
No Instagram, um militar também criticou a fala presidencial: “Se as forças armadas não tem recursos financeiros a culpa é do próprio presidente ; outra coisa desnecessária é o chefe de uma nação expor suas forças armadas”.
O episódio evidencia mais um ponto de tensão entre o discurso político e a percepção interna de parte da comunidade militar. Enquanto Lula recorreu à comparação como argumento para defender a diplomacia e questionar o uso da força militar na política internacional, militares interpretaram a fala como uma desvalorização institucional.
Há, por outro lado, o reconhecimento de que limitações orçamentárias fazem parte da realidade histórica das Forças Armadas brasileiras, especialmente quando comparadas a grandes potências militares. Ainda assim, muitos consideraram o tom e a generalização da declaração inadequados, sobretudo por terem sido feitos em um evento de caráter político-partidário. E mais: Tiktoker mais famoso do mundo vende empresa por R$ 5,15 bilhões. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Sociedade Militar)

