Negócios bilionários, diplomacia informal e gestos simbólicos têm se misturado cada vez mais nas relações entre grandes empresários e o poder político internacional. Em um cenário em que imagem, narrativa e proximidade com líderes globais ganham valor estratégico, o cinema surge como mais um instrumento de articulação no tabuleiro geopolítico.
É nesse contexto que um dos empresários mais ricos do Brasil decidiu apostar em um novo tipo de investimento: a produção cinematográfica. O projeto envolve o financiamento de um filme sobre a vida de Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, iniciativa interpretada por interlocutores como mais um sinal de alinhamento e boa vontade em relação ao presidente Donald Trump.
A ideia começou a ser discutida ainda durante a campanha presidencial americana de 2024 e acabou sendo formalizada em 2025. Pessoas próximas ao projeto afirmam que integrantes do governo dos EUA que atuam no Brasil acompanham o plano de perto.
De acordo com reportagem do grupo Bandeirantes, três fontes com conhecimento direto das negociações dizem que a escolha do elenco deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. O investidor, por sua vez, não pretende interferir nas decisões artísticas, limitando-se ao aporte financeiro.
Segundo relatos à emissora, a definição do elenco ficará sob responsabilidade da própria Melania Trump, com aval direto do presidente americano.
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O roteiro deve retratar a trajetória da primeira-dama desde a juventude em Sevnica, na atual Eslovênia, onde nasceu em 1970, com o nome de Melanija Knavs, filha de um vendedor de automóveis e de uma profissional do setor têxtil.
A narrativa inclui o início precoce da carreira de modelo, as passagens por centros da moda como Milão e Paris e a mudança para Nova York, em 1996, onde construiu projeção internacional.
Dois anos depois, Melania conheceu Donald Trump em uma festa no Kit Kat Club. O relacionamento evoluiu para um casamento luxuoso em 2005 e, mais tarde, para a chegada ao posto de primeira-dama dos Estados Unidos.
O empresário responsável pelo financiamento do projeto é Joesley Batista, controlador do grupo J&F, apontado hoje como o brasileiro com maior acesso ao círculo político de Trump. Essa proximidade se apoia em dois eixos principais.
O primeiro é financeiro. Por meio da Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS nos Estados Unidos, o grupo doou US$ 5 milhões ao comitê de posse de Trump e do vice-presidente JD Vance, em janeiro de 2025. A contribuição superou valores oferecidos por gigantes como Google e Amazon, tornando-se a maior doação individual registrada para o evento.
O segundo eixo é político. Em setembro de 2025, Joesley foi recebido pessoalmente por Trump na Casa Branca para tratar de tarifas comerciais e novos investimentos.
A JBS emprega mais de 70 mil pessoas em território americano, e interlocutores avaliam que o encontro foi decisivo para destravar a listagem da empresa na Bolsa de Nova York e para a recuperação do visto americano do empresário.
Nos últimos meses, Joesley também passou a atuar como uma espécie de emissário informal em crises internacionais. Entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, relatórios encaminhados ao governo dos EUA indicam que ele manteve reuniões com Nicolás Maduro, na tentativa de convencê-lo a deixar o poder, inclusive com propostas de exílio em países como a Turquia. Os encontros ocorreram às vésperas de uma possível intervenção militar americana na região.
Após a prisão de Maduro e o agravamento da crise política na Venezuela, o empresário voltou a se reunir, em janeiro de 2026, com Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina do país.
O foco das conversas foi a preservação e a expansão de investimentos nos setores de petróleo e gás. E mais: Trump anuncia nomes do ‘Conselho da Paz’ para administrar Gaza. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Band)

