Durante audiência na CCJ do Senado, o secretário-executivo do Banco Central, Rogério Lucca, informou que a autoridade monetária retirou de forma permanente 33 instituições do Pix e aplicou suspensão cautelar a outras sete após constatar fragilidades significativas nos protocolos de segurança dessas empresas.
A ofensiva faz parte de um conjunto de medidas adotadas pelo BC nos últimos meses para bloquear brechas exploradas pelo crime organizado e endurecer a proteção do sistema diante de ataques cibernéticos que chegaram a gerar prejuízos milionários.
Segundo Lucca, 20 inspeções extraordinárias foram realizadas, resultando em duas suspensões cautelares dirigidas a prestadores de serviços de tecnologia da informação, além das sete suspensões aplicadas diretamente a participantes do Pix. (continua)
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(segue) As exclusões definitivas atingiram instituições de pagamento que tiveram licença negada, perderam o prazo para obter autorização ou não possuíam aval para operar e acabaram descumprindo normas básicas do próprio BC. Algumas delas perderam o participante responsável dentro do Pix justamente por não seguirem os procedimentos de segurança exigidos.
O secretário afirmou que os técnicos identificaram falhas importantes na gestão de riscos e na prevenção de fraudes. Ele lembrou que, “entre julho e agosto”, ocorreram incidentes de maior impacto financeiro:
“Foram basicamente oito ataques, com subtração de algo próximo de R$ 1,5 bilhão”, relatou Lucca, enfatizando que o núcleo do sistema administrado pelo BC não foi comprometido. Os episódios levaram o regulador a acelerar medidas emergenciais.
Uma delas, implementada em setembro, limitou a R$ 15 mil o valor das operações feitas via instituições de pagamento sem autorização ou conectadas ao sistema financeiro por meio de prestadores de tecnologia.
No mês de novembro, o BC também determinou o fim das chamadas “contas-bolsão”, contas correntes abertas por fintechs menores em bancos tradicionais ou outras instituições de pagamento. Esse mecanismo vinha sendo usado por facções criminosas para mascarar transações, esconder patrimônio e facilitar lavagem de dinheiro.(continua)
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(segue) A determinação é que as instituições encerrem imediatamente contas que apresentem operação incompatível com a regulamentação — especialmente em situações que indiquem tentativa de ocultar a identidade dos verdadeiros beneficiários.
Lucca ainda lembrou que, a partir de fevereiro de 2026, entram em vigor as novas regras para o mercado de criptoativos no Brasil. O objetivo é reduzir brechas para fraudes e lavagem de dinheiro ao trazer as operações com moedas virtuais para um ambiente regulado e rastreável.
Durante a audiência, ele também mencionou avanços no MED (Mecanismo Especial de Devolução), ferramenta utilizada por vítimas de golpes para solicitar o reembolso de valores enviados via Pix. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)
Nova ferramenta
O Banco Central (BC) lançou na segunda-feira (1º) uma nova ferramenta que permite a pessoas e empresas restringirem a possibilidade de abertura de contas bancárias indesejadas em instituições financeiras.
Batizada de BC Protege+, a funcionalidade foi desenvolvida para evitar a abertura de contas com identidade falsa ou usando dados de pessoas físicas ou jurídicas de forma fraudulenta. Quando ativado, o mecanismo também informa ao Sistema Financeiro Nacional que o usuário não aceita ser incluído como responsável, seja como titular ou representante, em contas de outras pessoas ou empresas.
Para acessar o serviço, é preciso ter conta Gov.br nível prata ou ouro com a verificação em duas etapas habilitada. O BC Protege+ está disponível no site do BC, dentro da área logada do Meu BC no site do Banco Central, seguindo: “Serviços > Cidadão > Meu BC”. Dentro do sistema, é possível ativar ou desativar a proteção a qualquer momento.

