O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem responsabilidade pelo aumento do endividamento da população brasileira e demonstrou preocupação com os rumos da economia nacional.
Em entrevista à revista Veja, o economista avaliou que o Brasil vive um cenário de fragilidade no mercado de crédito, com mais de 80 milhões de brasileiros inadimplentes e empresas enfrentando dificuldades para renegociar compromissos financeiros. Para Fraga, esse quadro pode anteceder períodos de desaceleração econômica.
Apesar de reconhecer que os indicadores de emprego e crescimento econômico apresentam resultados positivos até o momento, o ex-presidente do Banco Central afirmou que ainda faltam elementos para que o país consiga crescer de forma consistente e sustentável.
“Dizem que já temos austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez a dívida pública crescer? […] A taxa de investimento continua muito baixa, sem isso e sem ganhos de produtividade o País não vai andar. Nesse meio tempo, as fragilidades econômicas crescem”, afirmou.
Segundo Fraga, parte das empresas que ampliaram seu endividamento por meio de instrumentos financeiros, como a securitização, passou a enfrentar dificuldades para manter os pagamentos ou renegociar os compromissos assumidos.
“O próprio governo está encurtando o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil. Eu entendo que o governo não queira emitir papel de trinta anos pagando inflação mais 8% ao ano, mas, assim ele aumenta o risco de sua própria rolagem”, declarou.
O economista também comparou a atual gestão petista com o governo de Dilma Rousseff (PT), afirmando que a ex-presidente adotou medidas para buscar a reeleição em 2014 ampliando gastos públicos e deteriorando as contas do país.
Fraga criticou ainda o discurso do governo Lula de que mantém uma política fiscal responsável. Para ele, a administração federal estaria descumprindo as próprias regras estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal. “Que austeridade é essa que fez o gasto público sair de um quarto do PIB para um terço nos últimos 40 anos?”, questionou.
“A situação fiscal é bastante grave. Embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, chutou o pau da barraca logo de cara e os resultados estão aí, na forma de juros”, afirmou.
Ao comentar as perspectivas para os próximos anos, o economista disse acreditar que o Brasil pode enfrentar uma crise econômica em 2027. Por isso, afirmou que tem recomendado cautela às empresas que assessora. “Preservem o caixa e não peguem empréstimos”, aconselhou.
Apesar das críticas ao governo atual, Fraga também fez ressalvas ao cenário político envolvendo a direita. Questionado sobre uma possível candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em 2026, afirmou que é necessário considerar o histórico da gestão de Jair Bolsonaro (PL), que classificou como “imensamente problemática”, principalmente em relação às instituições democráticas.
O posicionamento de Fraga ocorre após ele ter declarado apoio a Lula nas eleições presidenciais de 2022. Na ocasião, o economista, que havia integrado a equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), manifestou preocupação com a continuidade de Jair Bolsonaro no poder e defendeu a candidatura petista como alternativa naquele pleito. (Foto: reprodução; Fonte: InfoMoney)

