Os Estados Unidos oficializaram sanções contra o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, responsabilizando-o por “graves violações de direitos humanos” cometidas durante a repressão aos protestos de julho de 2021. A ação ocorre exatamente quatro anos após a maior onda de manifestações populares desde a Revolução de 1959.
Na ocasião, milhares de cubanos foram às ruas com gritos de “Temos fome” e “Abaixo a ditadura”. A repressão deixou um morto, dezenas de feridos e centenas de presos. No mesmo dia, em discurso transmitido pela TV estatal, Díaz-Canel convocou seus apoiadores a reagirem contra os manifestantes, o que agravou os episódios de violência.
O Departamento de Estado norte-americano informou que está adotando restrições de entrada no país contra “líderes-chave do regime cubano”, como forma de demonstrar apoio aos detidos e à população. Além de Díaz-Canel, também foram punidos os ministros Álvaro López Miera (Defesa) e Lázaro Alberto Álvarez Casas (Interior).
De acordo com Washington, dezenas de membros do Judiciário e do sistema prisional cubano também foram atingidos pelas restrições, acusados de envolvimento em detenções arbitrárias e atos de tortura. Os nomes desses servidores não foram revelados.
As medidas fazem parte da retomada da política externa mais rígida adotada por Donald Trump, que reassumiu a Presidência em janeiro deste ano. Ao retornar à Casa Branca, Trump reafirmou o embargo econômico contra Cuba e prometeu intensificar a pressão sobre o governo de Havana.
A resposta veio do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, que criticou a postura americana. “Os EUA podem manter uma guerra econômica contra Cuba, mas não vão dobrar a vontade do nosso povo nem de seus líderes”, escreveu na rede X (antigo Twitter).
Entidades de direitos humanos estimam que entre 360 e 420 pessoas ainda estejam encarceradas por participação nos protestos de 2021. Já os Estados Unidos citam 700 presos, muitos dos quais sob denúncias de maus-tratos.
Também nesta sexta-feira, o senador Marco Rubio acusou o governo cubano de torturar o dissidente José Daniel Ferrer. Ele exigiu “prova de vida imediata” e a libertação dos presos políticos. Ferrer, líder da organização Unpacu (União Patriótica de Cuba), foi libertado em janeiro em um acordo mediado pelo Vaticano, mas voltou à prisão em abril. Segundo sua família, ele tem sofrido torturas severas.
“Está sendo levado ao limite. Pode morrer a qualquer momento”, alertou a irmã do ativista, Ana Belkis Ferrer. Conforme relatado, ele teria sido agredido por outros detentos a mando da direção do presídio.
Como parte das novas ações, os EUA ampliaram a lista de locais proibidos para turistas americanos em Cuba. Foram incluídas 11 propriedades ligadas ao regime, entre elas o hotel de luxo “Torre K”, em Havana.
“Inaceitável que o regime invista milhões em hotéis enquanto falta comida, água, remédios e energia para a população”, afirmou Rubio, ao justificar a iniciativa de cortar o fluxo de dólares que, segundo ele, alimentam a repressão. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Jovem Pan)
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