STF mantém sigilo há 16 meses sobre gastos com viagens e diárias

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Uma apuração da colunista Andreza Matais, publicada com exclusividade pelo portal Metrópoles, revelou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está há mais de um ano sem divulgar informações detalhadas sobre os gastos da Corte com passagens aéreas e diárias pagas a ministros, seguranças e demais servidores.

Conforme a reportagem, os dados deixaram de ser atualizados desde meados de 2024, mesmo com o aumento expressivo dos valores desembolsados nesse tipo de despesa.

De acordo com a coluna, “o Supremo Tribunal Federal (STF) está há 16 meses sem divulgar informações sobre os gastos da Corte com diárias de viagem e passagens aéreas pagas aos ministros, seus seguranças e outros servidores do órgão”. Até maio de 2024, os dados referentes a viagens nacionais ainda estavam disponíveis; no caso das viagens internacionais, as últimas informações são de abril do mesmo ano.

Apesar do apagão nos dados públicos, os gastos continuaram crescendo. A jornalista apurou, com base no sistema Siga Brasil, que “até o dia 1º de agosto de 2024, o STF investiu R$ 5,61 milhões nessa finalidade (em valores já corrigidos pela inflação)”. Já em 2025, no mesmo período, o valor chegou a R$ 6,55 milhões — o que representa um aumento de 16,7%.

A falta de transparência ocorre, segundo a colunista, por uma mudança na forma de lançamento das despesas no sistema da Corte. Com isso, a plataforma passou a mostrar apenas os valores totais, sem detalhar quanto cada servidor ou ministro recebeu individualmente.

Segundo Andreza Matais, o próprio STF justificou a decisão com base em regras internas. “Segundo o diretor-geral do STF, as regras do próprio tribunal proíbem a divulgação de dados detalhados sobre os seguranças de ministros, para proteger os profissionais e os magistrados”, escreveu.

Conforme a colunista, o apagamento das informações coincidiu com reportagens que revelaram altos gastos em viagens do ministro Dias Toffoli.

“A interrupção da divulgação das informações pelo STF coincide com a publicação de reportagens mostrando que um segurança do ministro Dias Toffoli recebeu R$ 99,6 mil em diárias para acompanhar o magistrado em viagens a Londres (Reino Unido) e Madri (Espanha)”, afirmou a jornalista.

As viagens de Toffoli incluíram participações em eventos internacionais, como o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, na capital inglesa, patrocinado por empresas com processos em tramitação no Supremo.

Segundo a reportagem, “semanas depois, o STF gastou outros R$ 39 mil com diárias para uma viagem de Toffoli a Londres que incluiu a ida do juiz ao jogo final da Champions League daquele ano. Na ocasião, o Real Madrid sagrou-se campeão por 2 a 0, derrotando o Borussia Dortmund”.

Logo após a repercussão negativa dessas viagens, o STF retirou do ar os dados sobre diárias, alegando riscos de exposição indevida dos profissionais de segurança. Embora as informações tenham voltado a ser publicadas no dia 23 de maio de 2024, a atualização foi interrompida novamente — permanecendo até hoje sem novos registros.

A reportagem de Andreza Matais reforça o alerta sobre a falta de transparência em um dos principais órgãos do Judiciário brasileiro e levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos sem fiscalização adequada. (Foto: STF; Fonte: Metrópoles)

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