Mais um: Santander também anuncia aumento do juros do financiamento imobiliário

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O financiamento de imóveis ficou mais caro nos três maiores bancos privados do Brasil. O Santander também anunciou que elevará, a partir desta sexta-feira (30), sua taxa mínima de juros de 11,69% para 12,49% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR).

A instituição foi a última das três a promover mudanças nas condições de crédito imobiliário em um intervalo inferior a uma semana.

O Bradesco iniciou os reajustes na segunda-feira (26), enquanto o Itaú Unibanco modificou suas taxas nesta quinta-feira (29). Em manifestação sobre a mudança, o Santander afirmou que monitora periodicamente os indicadores da economia e o comportamento do mercado imobiliário.

Segundo a instituição, “avalia continuamente as condições de seus produtos de crédito”. O banco, porém, não apresentou uma justificativa específica para o aumento, que acontece após as eleições de segundo turno.

Entre as três instituições, a elevação promovida pelo Santander foi a mais moderada. O acréscimo de 0,8 ponto percentual ficou abaixo do reajuste de aproximadamente 1 ponto aplicado pelo Itaú e dos 3,3 pontos percentuais adicionados pelo Bradesco.

Mesmo com o aumento, o Santander passa a oferecer a menor taxa inicial entre os três concorrentes. Seu percentual também permanece inferior à taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, situação semelhante à do Itaú. No Bradesco, por outro lado, os juros cobrados da maior parte dos clientes ultrapassaram o patamar da taxa básica.

A mudança do Santander, entretanto, tem uma consequência importante para quem pretende comprar um imóvel. Com os juros mínimos em 12,49% ao ano, a instituição também ultrapassa o limite de 12% estabelecido para operações enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Dessa maneira, os três grandes bancos privados passam a trabalhar com taxas superiores ao teto desse sistema.

Financiamentos que excedem esse limite são enquadrados no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), modalidade na qual as instituições têm liberdade para negociar os juros.

A alteração também afeta o acesso a recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), já que o enquadramento no SFH é uma das condições para utilizar o saldo na aquisição da casa própria ou na redução do valor das prestações.

Itaú e Bradesco atribuíram suas decisões ao encarecimento dos juros praticados no mercado, movimento observado depois do segundo turno das eleições. Um dos fatores por trás dessa pressão é a mudança nas fontes de financiamento utilizadas pelos bancos para conceder crédito habitacional.

A poupança, historicamente uma das principais e mais baratas fontes de recursos para o setor, vem perdendo participação. Dados do Banco Central mostram que sua fatia no financiamento imobiliário caiu de 34% em dezembro de 2023 para 29% em dezembro de 2025.

Para compensar essa redução, as instituições financeiras passaram a recorrer com maior intensidade a alternativas como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujos custos acompanham mais diretamente as expectativas para os juros futuros. Quando essas taxas aumentam, captar recursos fica mais caro e parte dessa despesa acaba sendo repassada aos consumidores.

No intervalo entre janeiro e agosto, Itaú e Bradesco concentraram, juntos, 41,4% dos R$ 132,5 bilhões em financiamentos concedidos com recursos da poupança. O levantamento da Abecip aponta que o Santander ocupa a quarta posição entre os maiores financiadores nessa modalidade. A liderança pertence à Caixa Econômica Federal, responsável por 48,6% do mercado.

Procurados sobre a possibilidade de mudanças nas taxas, Caixa e Banco do Brasil informaram que estão em período de silêncio em razão da divulgação de seus resultados financeiros.

A próxima decisão que poderá influenciar o custo do crédito no país será anunciada pelo Banco Central na semana que vem. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem reunião marcada para os dias 3 e 4 de novembro, quando definirá o novo patamar da taxa Selic. (Foto: divulgação; Fonte: Exame)

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