Citi orienta investidores a vender ações do Banco do Brasil após eleição de Lula

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O Citi revisou suas recomendações para ações de instituições financeiras brasileiras após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em relatório divulgado na terça-feira (27), o banco rebaixou o Banco do Brasil para venda e elevou Caixa Seguridade e Porto Seguro para compra. A instituição também passou a recomendar posição neutra para Bradesco, XP, B3, BR Partners e PagSeguro.

A avaliação considera um cenário de juros elevados por mais tempo e maior incerteza em relação à economia brasileira sob mais quatro anos de comando petista.

Para os analistas do banco, mesmo após a forte desvalorização de parte dos papéis, os investidores precisam manter cautela na escolha dos ativos.

Nesse contexto, o Citi demonstra preferência por empresas com resultados mais previsíveis, boa geração de caixa e capacidade de distribuir dividendos aos acionistas. A instituição avalia que esses atributos ganham importância diante dos riscos econômicos e fiscais.

“Embora os preços já tenham se ajustado em grande parte, acreditamos que a incerteza fiscal e os juros mais altos justificam uma compensação maior pelo risco”, afirmaram os analistas no relatório.

Segundo o banco, a manutenção de taxas elevadas encarece o crédito, pode aumentar a inadimplência e reduz a disposição dos investidores para assumir riscos. Por isso, as ações precisam oferecer perspectivas de retorno mais atraentes para compensar as incertezas.

O Banco do Brasil foi um dos principais alvos da revisão. O Citi passou a recomendar a venda dos papéis da instituição, citando preocupações com a qualidade da carteira de crédito, especialmente nas operações relacionadas ao agronegócio.

O temor é que dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos tomadores de empréstimos provoquem um aumento dos calotes. Nesse caso, o banco precisaria ampliar as provisões, reservas contábeis destinadas a cobrir possíveis perdas, o que poderia comprometer os resultados.

A exposição a decisões governamentais também entrou na avaliação. De acordo com os analistas, o Banco do Brasil está mais sujeito aos efeitos de mudanças na condução da política econômica. A combinação entre o risco de inadimplência e a influência política pesou na decisão de rebaixar a recomendação.

O Itaú, por outro lado, continua sendo a principal escolha do Citi entre os bancos brasileiros. A preferência está relacionada à consistência dos resultados, à disciplina na concessão de crédito e à solidez do capital, fatores que ajudam a instituição a enfrentar eventuais perdas.

Para o Bradesco, a recomendação passou a ser neutra. O resumo da análise não apresentou uma justificativa específica para a mudança, além da revisão das perspectivas para o setor financeiro.

As seguradoras Caixa Seguridade e Porto Seguro seguiram na direção oposta e receberam recomendação de compra. Na avaliação do Citi, as duas companhias têm características que podem favorecer seu desempenho mesmo em um ambiente econômico mais adverso, como previsibilidade dos lucros e capacidade de gerar caixa.

A Caixa Seguridade se destaca por operar com resultados relativamente estáveis e demandar menos capital para ampliar suas atividades. Essas características são consideradas vantajosas em um período de custo elevado do dinheiro.

Já a Porto Seguro pode aproveitar o rendimento de suas aplicações financeiras em um cenário de juros altos. A diversificação das operações também é apontada como um fator que contribui para a resistência dos resultados da companhia.

No caso da XP e da B3, a preocupação está relacionada à possibilidade de os juros elevados reduzirem o apetite dos investidores por ativos de maior risco.

Com a renda fixa mais atrativa, a negociação de ações e a captação de recursos no mercado de capitais podem perder força, prejudicando as atividades das duas empresas.

BR Partners e PagSeguro também passaram a ter recomendação neutra. A revisão das indicações reflete a avaliação do Citi de que o ambiente econômico brasileiro exige maior seletividade na escolha de ações, com atenção especial aos riscos fiscais, ao custo do crédito e à capacidade das empresas de sustentar seus resultados. E mais: PF abre investigação contra Paulo Guedes. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: UOL)

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