A Prada Brasil entrou na mira da Polícia Federal durante as investigações da Operação Narco Fluxo, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao cantor MC Ryan SP. A operação foi deflagrada em 15 de abril e investiga movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
Segundo a PF, a marca de luxo teria apresentado “falhas massivas de alerta” ao deixar de comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) compras classificadas como suspeitas feitas por um dos alvos da investigação.
Os investigadores sustentam que as aquisições foram realizadas por um homem sem perfil econômico compatível com o padrão de consumo demonstrado nas lojas da grife. Por esse motivo, a atuação da Prada Brasil passou a ser analisada sob a ótica de possíveis falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.
O caso envolve Lucas Felipe Silva Martins, de 24 anos, morador de um conjunto habitacional em Bauru, interior de São Paulo. De acordo com a investigação, ele aparece como titular de um CNPJ de Microempreendedor Individual (MEI) com capital social de apenas R$ 6 mil.
Apesar disso, a PF aponta que Martins recebeu R$ 182,3 mil da produtora ligada a MC Ryan SP entre abril e agosto de 2024. No mesmo período, ele teria desembolsado cerca de R$ 196 mil em compras na Prada.
Do valor total gasto na grife, R$ 126,8 mil teriam sido pagos por meio de três transferências via Pix. Para os investigadores, Lucas Martins atuaria como laranja no esquema e teria exercido a função de “testa de ferro da lavagem de capitais”.
A apuração indica que as compras de artigos de luxo poderiam ter sido usadas para converter recursos de origem ilícita em bens de alto valor, dificultando o rastreamento do patrimônio atribuído ao funkeiro.
A Polícia Federal também afirma que a escolha da Prada não teria ocorrido por acaso. Segundo os investigadores, a organização criminosa conhecia episódios anteriores envolvendo supostas falhas de compliance da operação brasileira da marca.
De acordo com a PF, a grife já teria sido multada anteriormente pelo Coaf por descumprimento de regras relacionadas à identificação de clientes e comunicação de operações financeiras suspeitas.
Outro ponto citado na investigação envolve a Adyen, responsável pelo processamento de pagamentos utilizados pela Prada. Segundo a PF, o sistema da companhia teria emitido alertas automáticos ao Coaf após identificar incompatibilidade entre o perfil financeiro de Lucas Martins e o volume de compras de luxo realizadas.
Ainda assim, segundo os investigadores, a Prada teria permitido a conclusão das operações mesmo após os avisos de movimentação atípica. A apuração aponta ainda que o investigado chegou a ter uma conta bancária encerrada anteriormente por suspeitas de fraude.
Pela legislação brasileira, lojas de artigos de luxo possuem obrigação legal de adotar políticas de prevenção à lavagem de dinheiro. Entre as exigências estão o cadastro detalhado de clientes, registro de operações e comunicação obrigatória ao Coaf em casos considerados suspeitos.
Além da Prada, a investigação também cita movimentações financeiras envolvendo outras marcas de luxo. Um dos operadores do suposto esquema teria realizado pagamentos superiores a R$ 94 mil à Balenciaga em transações consideradas incompatíveis com o perfil econômico identificado pela PF.
Nesse caso específico, porém, os investigadores não apontam suspeitas diretas sobre a atuação da marca.
A operação também rastreia gastos milionários com veículos de luxo de fabricantes como Porsche, Ferrari e Tesla, além da compra de joias de alto valor.
Segundo a Polícia Federal, a própria produtora de MC Ryan SP teria realizado pagamentos de aproximadamente R$ 300 mil a uma joalheria, em operações que fariam parte de uma estratégia para converter dinheiro em bens de luxo e dificultar o rastreamento financeiro.
As investigações seguem em andamento. Os envolvidos poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. E mais: Renan Santos do MBL: “Americano nenhum vai matar nossos bandidos”. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: BPMoney)

