A tentativa do presidente Donald Trump de impulsionar a exploração do petróleo venezuelano sob influência dos Estados Unidos expôs um descompasso entre o discurso político e a avaliação técnica da indústria. A informação é da Bloomberg.
A reunião realizada na sexta-feira (9) colocou executivos do setor energético diante de uma proposta que, embora ambiciosa, carrega riscos elevados e incertezas de longo prazo.
Segundo a reportagem, parte dos representantes demonstrou desconforto com a possibilidade de serem associados à ação militar estratégica.
A preocupação central é que qualquer envolvimento imediato possa transmitir (no futuro) a imagem de conivência com uma suposta apropriação dos recursos venezuelanos em um cenário ainda instável.
Mesmo diante do discurso otimista da Casa Branca, há grande relutância em investir rapidamente no país, sobretudo sem garantias claras de segurança e previsibilidade institucional.
Ao mesmo tempo, os executivos precisam administrar a relação com Trump, que tem pressionado o setor a anunciar novos investimentos em prazos curtos. (continua)
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(segue) Nesta semana, representantes da indústria deixaram claro a funcionários da administração que a reconstrução do setor petrolífero venezuelano exige condições mínimas ainda inexistentes.
As exigências incluem segurança física para trabalhadores e instalações, além de estabilidade contratual e respeito a acordos de longo prazo.
A liderança interina de Delcy Rodríguez é vista com cautela, diante do histórico de instabilidade institucional e mudanças abruptas de regras no país.
Atualmente, a Chevron é a única grande empresa americana que mantém operações na Venezuela, amparada por uma licença especial concedida pelos Estados Unidos.
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Outras gigantes do setor, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, deixaram o país após a nacionalização de ativos promovida pelo governo de Hugo Chávez.
A saída dessas empresas marcou o início de um longo processo de deterioração da infraestrutura petrolífera venezuelana.
Apesar de possuir as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela produz hoje menos de 1 milhão de barris por dia.
O volume representa uma fração do potencial do país e reflete décadas de abandono, falta de manutenção e êxodo de empresas estrangeiras.
Especialistas avaliam que a recuperação plena do setor exigiria (no presente) investimentos de dezenas de bilhões de dólares ao longo de vários anos.
Grande parte desse montante seria destinada à limpeza de danos ambientais acumulados e à reconstrução de plataformas abandonadas.
Oleodutos com vazamentos recorrentes, equipamentos corroídos e estruturas destruídas por incêndios compõem o cenário atual da indústria local. Mesmo com investimentos elevados, o aumento inicial da produção seria limitado.
O país dificilmente se aproximaria, no curto ou médio prazo, do pico registrado na década de 1970, quando produzia quase 4 milhões de barris por dia.
Trump já sugeriu, em outras ocasiões, a possibilidade de subsídios dos Estados Unidos para projetos petrolíferos no exterior.
Na sexta-feira, porém, o secretário do Interior, Doug Burgum, afastou essa hipótese. Segundo ele, o financiamento deverá vir dos mercados financeiros e das próprias empresas de energia. Burgum afirmou que o papel do governo americano seria garantir um ambiente seguro e estável para atrair capital privado.
O secretário de Energia, Chris Wright, ex-executivo do setor, participou da reunião ao lado de Burgum e do secretário de Estado, Marco Rubio.
A presença dos três reforçou o peso político atribuído ao plano dentro da administração Trump.
Ainda assim, executivos seguem avaliando os riscos de se comprometer com um país que enfrenta instabilidade política crônica.
Trump afirmou também ter cancelado uma segunda onda de ataques à Venezuela após sinais de cooperação do governo local.
Entre os gestos citados está a libertação de alguns presos políticos, apontada como avanço nas negociações.

