Um grupo composto por representantes de 25 países que participam das negociações da COP30, em Belém, no Pará, assinou um documento em que manifesta preocupação com as condições de hospedagem e infraestrutura da cidade.
O texto, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, sugere que, caso os problemas não sejam resolvidos a tempo, parte da conferência poderia ser transferida para outro local.
Entre os signatários estão tanto países em desenvolvimento quanto economias avançadas, como Áustria, Suíça, Canadá, Suécia, Noruega, Bélgica e Finlândia, além de blocos como o Grupo de Negociadores Africanos e os Países Menos Desenvolvidos (LDCs, na sigla em inglês).
A carta destaca que, para que todos possam participar plenamente do evento, é necessário que haja hospedagens com preços acessíveis e estrutura adequada.
“Se a COP inteira for mesmo acontecer em Belém”, afirmam os países, “essas condições precisam ser asseguradas”. Ainda segundo o documento, é fundamental que haja transporte eficiente e seguro, inclusive à noite, para os deslocamentos até o local do evento.
Um dos trechos ressalta: “[Ter condições de participar] significa ser possível viajar para Belém, ficar em acomodações adequadas e acessíveis, e ir ao pavilhão e voltar de forma segura e eficiente em termos de tempo, inclusive tarde da noite”, mas reiteram que a situação é preocupante, a cem dias do início do evento.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, além dos altos valores cobrados pelos hotéis, os delegados também têm receios em relação à logística geral e à segurança na capital paraense.
A carta foi enviada tanto à organização do evento no Brasil quanto à ‘UNFCCC’, da ONU. A secretaria extraordinária da COP30 confirmou o recebimento do documento, mas afirmou não ter discutido o assunto com outras nações. “Não há a possibilidade da COP30 ou parte da Conferência acontecer fora de Belém”, declarou o órgão. A UNFCCC não se pronunciou até o momento.
O governo brasileiro tem até o dia 11 para responder oficialmente às preocupações. Segundo Richard Muyungi, líder do Grupo de Negociadores Africanos, a expectativa é que o país ofereça soluções concretas.
“O Brasil tem muitas opções para termos uma COP melhor, uma boa COP. Por isso estamos pressionando para que o Brasil forneça respostas melhores, em vez de nos dizer para limitar nossa delegação”, afirmou à agência Reuters. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)
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