A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) passou por audiência de custódia na Itália, para aonde seguiu após ser condenada a prisão no Brasil.
A Justiça da Itália decidiu manter a parlamentar licenciada presa enquanto tramita o pedido de extradição apresentado pelo Brasil.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (1º) durante uma audiência realizada na Corte de Apelação de Roma, onde a defesa da parlamentar buscava substituir a prisão por medidas menos severas — tentativa que foi negada pelo juiz responsável pelo caso.
Zambelli permanece detida na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana, local onde está desde sua prisão no início da semana. Conforme apurou a CNN Brasil, o pedido de relaxamento da prisão será novamente avaliado em audiência marcada para o próximo dia 15 de agosto.
A manutenção da prisão foi confirmada pelo embaixador brasileiro na Itália, Renato Mosca, e também por agentes da Polícia Federal que acompanham o caso. O interrogatório de Zambelli durou cerca de três horas e meia e foi conduzido por um juiz de garantias.
A deputada está na Itália desde junho, pouco após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão e à perda de mandato parlamentar, por acusação de envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Como a decisão judicial brasileira já transitou em julgado, não há mais possibilidade de recurso.
Zambelli teve seu nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol a pedido do STF, o que motivou sua captura pela polícia italiana. Agora, a extradição está nas mãos das autoridades judiciais do país europeu, que avaliarão os termos do pedido feito pelo Ministério da Justiça do Brasil, encaminhado via Advocacia-Geral da União (AGU). Sancionado pelos EUA, Alexandre de Moraes solicitou formalmente que a AGU atue na condução do processo.
Durante a audiência, a defesa insistiu que a parlamentar sofre de problemas de saúde e que teria dificuldade para continuar na prisão sem acesso adequado a medicamentos. Como resposta, a Justiça autorizou o fornecimento dos remédios necessários, mas manteve Zambelli encarcerada até que o tribunal avalie novamente seu caso.
O advogado Fábio Pagnozzi, que representa a deputada, também afirmou que ela possui cidadania italiana e está sendo vítima de perseguição política, o que justificaria uma eventual recusa do país europeu em extraditá-la.
Do lado de fora da Corte de Apelação, o pai da parlamentar, João Hélio Salgado, de 77 anos, demonstrou preocupação com a filha. Ele acompanhou o julgamento, mas não pôde entrar na sala da 4ª Seção Penal, onde o juiz Aldo Morgigni conduziu a sessão.
Segundo Salgado, Zambelli sofre de “várias doenças”, mas ele não soube detalhar quais em breve entrevista ao UOL. Também relatou que ela estaria sem seus medicamentos desde que foi presa.
O pai da deputada reconheceu que ela demorou a se apresentar às autoridades após a emissão do mandado de prisão internacional, e afirmou que a filha “não sabia exatamente o que fazer”. Segundo ele, Zambelli considerou se entregar espontaneamente às autoridades italianas, mas acabou não tomando essa decisão.
Ainda sem visitar a filha na prisão, Salgado aguarda o retorno do genro, o coronel Aginaldo Oliveira, para decidir os próximos passos. “Só volto para o Brasil quando ele estiver de volta a Roma”, disse.
Enquanto isso, o governo brasileiro e as autoridades italianas acompanham o andamento do processo, que poderá se estender por várias semanas. (Foto: Ag. Câmara; Fontes: CNN; UOL)

