A Hungria caminha para uma mudança histórica em seu cenário político. O partido de centro ‘Tisza’ venceu as eleições legislativas realizadas nesse domingo (12) e garantiu maioria no Parlamento, encerrando um ciclo de 16 anos de poder do primeiro-ministro Viktor Orbán.
Com 95,63% das urnas apuradas até a noite, a legenda liderada por Péter Magyar conquistava 137 das 199 cadeiras disponíveis. Diante do cenário, Orbán reconheceu a derrota antes mesmo da totalização dos votos. “Resultado da eleição é claro e doloroso”, declarou.
Antes da votação, pesquisas já indicavam vantagem da oposição, com o partido governista Fidesz aparecendo nove pontos atrás. Em atualização parcial anterior, com pouco mais da metade dos distritos contabilizados, o Tisza somava 52,49% dos votos, contra 38,83% da sigla de Orbán.
Nas redes sociais, Magyar afirmou ter recebido uma ligação do próprio premiê após o resultado. “O primeiro-ministro Viktor Orbán acabou de ligar para nos felicitar pela nossa vitória”, escreveu.
A repercussão internacional foi imediata. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “o coração da Europa bate mais forte na Hungria” e declarou que o país “retoma seu caminho europeu, a união fica mais forte”.
O novo líder também recebeu mensagens de apoio do presidente da França, Emmanuel Macron, e do chanceler alemão, Friedrich Merz, que celebraram o resultado.
A eleição definiu os ocupantes das 199 cadeiras do Parlamento húngaro e registrou alta mobilização popular, especialmente entre os jovens — segmento no qual Orbán tinha apenas 8% de aprovação.
Ex-integrante do Fidesz, Magyar rompeu com o grupo em 2024 e construiu sua campanha com base em críticas à economia, ao aumento do custo de vida e denúncias de corrupção, prometendo desmontar “tijolo por tijolo” o sistema político atual.
Apesar da vitória, a formalização do resultado ainda depende da conclusão oficial da apuração. Em pronunciamento, Orbán reconheceu o cenário adverso:
“O resultado das eleições ainda não é definitivo, mas é compreensível e claro. O resultado é doloroso para nós. A responsabilidade e a possibilidade de governar não nos foram dadas. Já parabenizei o vencedor”.
A disputa foi acompanhada de perto por atores internacionais. Orbán mantém relações próximas com o presidente russo Vladimir Putin e com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que enviou o senador J. D. Vance a Budapeste na semana anterior ao pleito.
A possível mudança de governo pode impactar diretamente a relação da Hungria com a União Europeia, incluindo a liberação de cerca de 90 bilhões de euros em recursos e menos resistência à imigração.
Durante seus anos no poder, Orbán consolidou um modelo que ele próprio definiu como “democracia iliberal”, alvo de críticas da União Europeia por questões relacionadas à liberdade de imprensa.
Ainda assim, sua gestão se tornou referência para movimentos de direita ao redor do mundo, incluindo no Brasil, onde já recebeu elogios do ex-presidente Bolsonaro e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. E veja também: Adeus, Starlink? Amazon promete superar internet por satélite de Elon Musk.
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