Agro avança na Argentina após Milei derrubar impostos para o setor

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A área irrigada na Argentina registrou um crescimento expressivo e atingiu 2.160.000 hectares, somando todos os tipos de sistemas de irrigação em uso no país.

Os dados foram apresentados recentemente durante a Exposição Rural de Palermo e indicam que esse avanço foi impulsionado por fatores como a redução de tarifas de importação para equipamentos e maior acesso ao crédito.

O crescimento da irrigação é estratégico para o setor agrícola, pois permite ampliar a produtividade mesmo em períodos de estiagem ou em regiões com baixa pluviosidade.

Além de garantir colheitas mais estáveis, a irrigação possibilita que o produtor plante nas janelas ideais, reduza perdas e diversifique as culturas, tornando o agronegócio mais competitivo e resiliente frente às variações climáticas.

Segundo o Ministério da Agricultura argentino, “como resultado das medidas adotadas, mais de 400 sistemas de irrigação por pivô foram vendidos nos últimos 18 meses, com um investimento que ultrapassa US$ 90 milhões, o que possibilitou a cobertura adicional de cerca de 35 mil hectares”.

Ainda conforme o órgão, sistemas de irrigação por gotejamento também ganharam espaço, totalizando mais de 8 mil hectares com investimento de US$ 36 milhões.

Entre os principais impulsionadores desse crescimento estão a queda nas tarifas de importação de equipamentos – que passaram de 14% para 2% – e a redução da alíquota do imposto PAIS, que resultou em uma queda significativa nos preços de tecnologias importadas.

O imposto PAIS (chamado oficialmente de “Impuesto Para una Argentina Inclusiva y Solidaria”) é um tributo criado na Argentina em dezembro de 2019, durante o início do governo de Alberto Fernández.

É um imposto aplicado sobre operações em moeda estrangeira, especialmente:
• Compra de dólares por pessoas físicas;
• Pagamentos com cartão de crédito ou débito em moeda estrangeira;
• Gastos no exterior (como compras online e viagens);
• Importações de alguns serviços e produtos.

A alíquota varia conforme o tipo de operação, mas geralmente foi de 30% sobre o valor das operações em dólares. Em alguns casos, houve a aplicação conjunta de outros tributos (como a retenção do Imposto de Renda), o que elevava a carga total para mais de 60%.

O imposto PAIS encarecia a compra de equipamentos importados, já que grande parte dos sistemas de irrigação modernos (como pivôs centrais, bombas e painéis de controle) vem do exterior. Quando o imposto foi reduzido ou isentado para esse setor, o custo total da tecnologia caiu, facilitando o investimento por parte dos produtores rurais.

Martín Pasman, produtor rural e representante do setor de irrigação, confirmou que os cortes tributários “tiveram um impacto muito forte” nas vendas. “Isso ajudou a reanimar o mercado, que estava mais retraído no ano passado. Mas ainda é necessário reduzir os custos dos componentes nacionais, como painéis, bombas, tubos e peças de pivô central, que continuam caros”, explicou ao jornal argentino La Nacion.

Ele lembrou que, durante o governo de Alberto Fernández, muitos desses itens tiveram aumentos em dólares, o que dificulta a redução atual dos preços.

Atualmente, o crescimento da irrigação ocorre principalmente como complemento à chuva em áreas marginais.
As províncias com maior adoção do sistema incluem Buenos Aires, Córdoba, Entre Ríos, Mendoza, Tucumán, Catamarca, Río Negro e San Luis. Os principais cultivos beneficiados são batata e cebola, mas também se destacam milho, trigo, soja, algodão e amendoim.

Segundo Pasman, o cultivo em que mais impacta é o milho. Com 9 mil hectares irrigados em propriedades espalhadas por Córdoba, San Luis, Buenos Aires e Río Negro, Pasman afirma que o retorno do investimento ocorre entre quatro e cinco anos, com uma vida útil dos equipamentos de até 40 anos.

Além das culturas tradicionais, a irrigação também está sendo incorporada em economias regionais, como vinhedos e pomares de frutas.

De acordo com a Secretaria de Agricultura, o país tem potencial para expandir a área irrigada para até 6 milhões de hectares — o triplo da atual.

Além da redução de impostos, outro fator determinante tem sido a oferta de linhas de crédito com melhores condições para os produtores. (Foto: EBC; Fonte: La Nacion)

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