Lulinha abriu uma empresa “de gaveta” na Espanha logo após o início das investigações sobre a fraude do INSS, que apuram se ele foi um dos beneficiários do esquema.
Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, a companhia, batizada Synapta, iniciou operações em 13 de janeiro de 2026 e foi registrada oficialmente no Registro Mercantil de Madrid em 6 de fevereiro.
Segundo a Folha, o endereço da empresa fica no distrito de Chamartín, região de alto padrão na zona norte de Madri.
A companhia declara atividades genéricas em tecnologia, incluindo “consulenza tecnica e informatica, implementazione di soluzioni digitali e supporto agli utenti”, além de atuação no setor de intermediação comercial, como “identificazione di opportunità di acquisto o vendita”.
O escritório ocupa o quinto andar de um complexo moderno que abriga outras empresas internacionais, consultórios e sedes da administração pública local.
Conforme a reportagem, Lulinha consta como administrador único da Synapta, que não registrou nenhuma movimentação oficial desde a abertura, exceto a nomeação do escritório de advocacia espanhol Monereo Meyer Abogados e cinco de seus funcionários como procuradores legais.
“O endereço registrado pela Synapta é o mesmo desse escritório”, destaca a Folha. O capital da empresa é o mínimo exigido por lei na Espanha: 3.000 euros, equivalentes a cerca de R$ 18 mil.
A Folha relata que “tanto o recepcionista do prédio quanto a recepcionista da firma de advocacia disseram à reportagem desconhecer a Synapta”, mas uma segunda funcionária confirmou que seria possível a empresa ter domicílio naquele endereço. A legislação espanhola permite que empresas mantenham endereço fiscal diferente do local de operação, prática comum e legal.
Stefan Meyer, um dos fundadores do escritório, afirmou ao jornal: “O que nós temos a ver com isso? Mande um email e investigaremos, ok?”. A assessoria do escritório completou mais tarde que, por dever de confidencialidade profissional, não poderia comentar além das informações públicas.
A defesa de Lulinha informou que a empresa cumpre as exigências legais, ainda não exerce atividades e foi formalizada visando projetos futuros. Por estar constituída mas sem atividades relevantes, é considerada “de gaveta”.
Os advogados também afirmam que Lulinha trabalha atualmente como pessoa física no exterior e recebe renda dessa forma, sem detalhar contratos ou clientes, por motivos de privacidade.
Lulinha teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Polícia Federal e da CPI mista do INSS em fevereiro.
Trechos dos dados sigilosos apontam que, em quatro anos, ele recebeu pouco mais de R$ 9,7 milhões e realizou transações que somam R$ 19,5 milhões.
A PF afirmou em relatório divulgado ao O Estado de S. Paulo que “a saída do Brasil poderia ser uma ‘evasão do país’. Do ponto de vista investigativo, asseveramos que Lulinha viajou para o exterior, sem previsão de volta, o que denota possível evasão do país, considerando estar associado aos fatos associados ao principal operador das fraudes bilionárias a milhões de aposentados do Brasil”.
A Folha acrescenta que a ida de Lulinha à Espanha já era conhecida por aliados do presidente desde meados de 2025. E mais: Globo defende prisão domiciliar a Bolsonaro; Veja o editorial (Foto: reprodução; Fonte; Folha de SP)

