MST invade quatro fazendas no sul da Bahia

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Na madrugada desta segunda-feira (27), cerca de 1.700 famílias vinculadas ao movimento Sem Terra na Bahia ocuparam quatro fazendas no sul do estado. Três das quatro áreas invadidas são plantações de eucalipto, da empresa Suzano Papel e Celulose, localizados nos municípios de Teixeira de Freitas, Mucuri e Caravelas.

As famílias Sem Terra ‘reivindicam’ a “desapropriação imediata dos latifúndios para fins de reforma agrária, tendo em vista que estas propriedades atualmente não estão cumprindo sua função social”.

Em nota divulgada, o movimento alega que “o ato também é uma denúncia contra a monocultura de eucalipto na região, que vem crescendo nas últimas décadas. E o uso de agrotóxicos pela empresa, que prejudica as poucas áreas cultivadas pelas famílias camponesas e o êxodo rural provocado pela monocultura do eucalipto na região”.

Para o MST, o “modelo de produção baseado na concentração de terra e no monocultivo é insustentável e não gera desenvolvimento. Sua prática causa danos sociais, culturais e ambientais incalculáveis”.

‘Sinal de alerta’
No comunicado divulgado para defender os atos, o MST afirma que “apesar das expectativas com o Governo Lula em relação à reforma agrária, os Sem Terra estão preocupados, frente a urgência do combate à fome, o desemprego e a destruição do meio ambiente, causados pelo desastroso modelo do capital. O MST acionou o alerta amarelo diante da demora do Governo Federal em nomear a presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), órgão tão importante para a implantação do Programa Nacional de Reforma Agrária”.

Empresa repudia
Procurada pela emissora CNN, a Suzano afirma que as ações “violam o direito à propriedade privada e estão sujeitas à adoção de medidas judiciais para reintegrar a posse dessas áreas.”

A empresa diz que cumpre integralmente as legislações ambientais e trabalhistas nas áreas onde mantém atividades de trabalho. Cita que em suas operações são praticados o desenvolvimento sustentável e a geração de valor e renda, em que reforçam o compromisso com as comunidades locais e o meio ambiente.

“Especificamente no sul da Bahia, a empresa gera aproximadamente 7.000 mil empregos diretos, mais de 20.000 postos de trabalho indiretos e beneficia cerca de 37.000 pessoas pelo efeito renda, conforme metodologia adotada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ)”, explicam.

Invasões retornam no governo Lula
Não é a primeira fazenda invadida no Brasil no início do governo Lula. A organização FNL (Frente Nacional de Luta Campo e Cidade) invadiu no sábado (18) diversas fazendas da região de Presidente Prudente, no oeste do estado de São Paulo.

Os ataques, denominados pelo grupo de ‘Carnaval Vermelho’, estão concentrados nas cidades de Marabá Paulista, Sandovalina, Presidente Venceslau e Rosana, mas também há registro de invasão em Ponta Grossa, no Paraná. Segundo a FNL, cerca de mil famílias participam dos atos de invasão.

“O movimento reivindica terra, trabalho, moradia e educação, através da ocupação de terras que já foram reconhecidas como públicas pela Justiça, porém ainda permanecem abandonadas sem cumprir seu uso social”, afirma a FNL em nota.

De acordo com a Polícia Militar, a corporação foi acionada para duas ocorrências neste domingo em Presidente Epitácio e Planalto do Sul, no Distrito de Deodoro Sampaio. A PM informou ainda que três veículos foram atingidos por disparos de arma de fogo, mas não houve feridos. Uma perícia foi realizada na área.

Segundo publicações na rede social do próprio grupo, foram cerca de 13 invasões só neste feriado de carnaval. Para se ter uma ideia, essa quantidade é quase 3 vezes mais do que a média de invasões registradas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“No governo Fernando Henrique Cardoso, que ele ficou oito anos no governo, a média de invasões por ano foram 305, quase uma por dia. No governo Lula, oito anos também, 246. No governo Dilma, 182 invasões. No governo Temer baixou bastante, 37 invasões por ano, e nosso governo, cinco invasões por ano”, disse Bolsonaro em live em março de 2022.

A FNL foi fundada em 2014, e atualmente está organizada em Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. Há mais de 30 mil acampados no país.


Fontes: MST; CNN, Folha de SP; FLN; Agência Brasil
Fotos: divulgação MST

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