Apesar do discurso público de minimização, integrantes do governo Lula e dirigentes do PT avaliam internamente que a manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pode marcar o início da estratégia eleitoral do grupo, com foco na eventual candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O ato foi encerrado no domingo (25/1), após uma caminhada histórica que partiu de Minas Gerais com destino a Brasília. No desfecho da mobilização, Nikolas reuniu milhares de apoiadores na capital federal, em um movimento que chamou a atenção do Palácio do Planalto, conforme apuração da colunista Milena Teixeira, do Metrópoles.
Auxiliares de Lula reconhecem que a manifestação demonstra que o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda mantém capacidade de levar apoiadores às ruas até o período eleitoral de outubro. Diante desse cenário, membros do governo defendem a adoção de uma estratégia batizada internamente de “política de retenção da atenção”.
A leitura predominante no entorno de Lula, de acordo com a colunista, é de que o petista precisará intensificar, a partir de agora, a agenda de inaugurações de obras e acelerar debates com forte apelo popular, como a discussão sobre a escala de trabalho 6×1.
O entendimento é de que o governo deverá atuar de forma mais “ofensiva”, disputando espaço na agenda pública e reforçando os temas considerados prioritários.
Outro ponto citado por aliados é a necessidade de ampliar a comunicação sobre ações já implementadas pela atual gestão, como a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil.
Publicamente, no entanto, o PT adotou um tom diferente. O partido do presidente Lula minimizou a caminhada de cerca de 240 quilômetros organizada por Nikolas Ferreira. À coluna de Milena Teixeira, o secretário nacional de comunicação da sigla, Éden Valadares, afirmou que o ato contou apenas com a presença de apoiadores radicais do ex-presidente.
“Caminhada que só mobilizou extremistas e fundamentalistas, defensores da anistia para criminosos e impunidade para bandido. A pauta da caminhada não dialoga com o Brasil real, com o Brasil de fato. Qual foi a proposta defendida nessa ação midiática que não fosse defender eles próprios?”, questionou o dirigente.
Valadares também criticou a decisão de manter o evento apesar dos alertas de segurança. “Ainda vale chamar atenção para o grau de irresponsabilidade do deputado do PL: o Centro-este é uma região com muita incidência de raios e, contrariando todos os apelos das autoridades ambientais e de segurança, ele não adiou o evento. Resultado: mais de 50 feridos leve e gravemente”, declarou. E mais: Fundos da Reag registraram R$ 4,1 bilhões em ações com ‘CNPJ fantasma’. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)

