Documentos encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que fundos administrados pela Reag Trust utilizaram um CNPJ inválido para declarar participações em ações avaliadas em aproximadamente R$ 4,1 bilhões. Nos registros, a própria gestora informou um cadastro inexistente na Receita Federal como emissor dos ativos, identificado apenas de forma genérica como “emitente geral”. A informação é do Metrópoles.
A apuração identificou 16 fundos sob gestão da Reag que declararam investimentos em ações vinculadas ao mesmo CNPJ inexistente. A corretora teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 15 de janeiro, em meio a apurações sobre sua atuação no mercado financeiro, especialmente relacionadas a suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
Os dados analisados constam em informes de maio e junho de 2025, correspondentes aos últimos balanços apresentados pela Reag à CVM.
Nos documentos, essas participações aparecem classificadas como “ações”, o que caracteriza investimentos diretos em empresas — geralmente companhias privadas, holdings ou sociedades de propósito específico (SPEs), formato comum em fundos de investimento em participações (FIPs).
Pela regulamentação, esse tipo de ativo exige a identificação clara do emissor, com CNPJ válido e denominação social correspondente, mesmo quando a empresa não tem ações negociadas em bolsa.
Apesar disso, os informes enviados à CVM mostram diversas participações associadas a um cadastro genérico, rotulado como “emitente geral” e vinculado a um CNPJ que não existe nos registros oficiais. O mesmo identificador é utilizado para declarar investimentos em empresas diferentes, com nomes distintos, o que dificulta a checagem pública sobre quem, de fato, seriam os emissores das ações informadas.
Oficialmente, esses fundos não aparecem como alvos diretos das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) que envolvem a Reag, tanto na apuração que menciona possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) quanto nas linhas que tratam da relação da corretora com o Banco Master.
Ainda assim, embora a maior concentração de participações com emissor não identificável esteja nos fundos da Reag, o mesmo padrão foi encontrado em fundos administrados por outras gestoras.
Em ao menos três fundos sob administração da Qore Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, participações relevantes também aparecem registradas sob o mesmo CNPJ inválido, igualmente identificado como “emitente geral”.
Em um desses casos, um fundo ligado à Qore declarou à CVM ter praticamente todo o seu patrimônio aplicado em ações associadas a esse cadastro genérico. No informe mais recente, o valor de mercado atribuído a esses ativos chega a cerca de R$ 54,3 milhões, sem a indicação de um emissor juridicamente identificável.
Nos outros dois fundos, investimentos descritos de forma semelhante — e vinculados ao mesmo CNPJ inexistente — somam aproximadamente R$ 49 milhões.
Assim como nos registros da Reag, todas essas participações foram classificadas como “ações”, caracterizando investimentos diretos em empresas sem identificação válida dos emissores.
Por meio de nota, a CVM informou que é de responsabilidade dos administradores informar os dados: “No que se refere aos informes periódicos encaminhados por fundos de investimento, as áreas técnicas responsáveis tornam públicas as informações remetidas pelos administradores, nos termos da regulamentação vigente. A elaboração e o envio corretos desses documentos constituem dever regulatório dos administradores”. E mais: Em hospital, Nikolas visita atingidos por raio em manifestação. Clique AQUI para ver.

