Saiba quantas empresas e empregos o Brasil já perdeu para o Paraguai

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O Paraguai se transformou em um dos principais destinos de empresas brasileiras que buscam reduzir custos de produção e pagar menos impostos. Desde 2007, ao menos 232 companhias do Brasil passaram a operar no país vizinho dentro da chamada Lei de Maquila, regime voltado para indústrias exportadoras que oferece benefícios fiscais e trabalhistas.

Segundo dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, as empresas brasileiras representam cerca de 70% das mais de 320 maquiladoras estrangeiras instaladas no país. O movimento ganhou força nos últimos anos, especialmente após novas medidas criadas pelo governo paraguaio para facilitar a entrada de investimentos estrangeiros.




Brasil já perdeu cerca de 25 mil empregos: O avanço das maquiladoras paraguaias já provocou impacto direto no mercado de trabalho brasileiro. Estimativas apontam que aproximadamente 25 mil empregos deixaram de ser gerados no Brasil e foram transferidos para o Paraguai ao longo dos últimos anos.

Em março de 2026, as maquiladoras empregavam 35.357 trabalhadores diretamente no território paraguaio. A maior parte dessas vagas está ligada à produção de mercadorias destinadas ao mercado brasileiro, o que reforça a dependência das empresas instaladas no país vizinho das exportações para o Brasil.




Impostos baixos são principal atrativo: A diferença na carga tributária aparece como um dos fatores mais decisivos para a mudança das empresas. Enquanto indústrias instaladas no Brasil enfrentam custos tributários e trabalhistas que podem chegar a cerca de 80%, no Paraguai esse percentual gira em torno de 12%.

No regime de maquila, as empresas pagam apenas 1% sobre o valor agregado da produção. Além disso, recebem isenção em áreas como importação de máquinas, compra de matéria-prima e distribuição de dividendos. Fora da maquila, o sistema tributário paraguaio também chama atenção pelo chamado “triplo 10”: 10% de imposto empresarial, 10% de imposto de renda pessoal e 10% de IVA.




Mão de obra mais barata acelera migração: Mesmo com salário mínimo nominal superior ao brasileiro, o Paraguai continua sendo mais barato para contratar funcionários. Isso acontece porque os encargos trabalhistas no país vizinho são muito menores do que os aplicados sob as regras da CLT no Brasil.

Levantamentos indicam que um trabalhador formal no Paraguai pode custar entre 30% e 40% menos para a empresa. O país não possui FGTS, a contribuição previdenciária é menor e o sistema trabalhista é considerado mais flexível. A jornada semanal também é maior: 48 horas contra 44 horas no Brasil.




Debate sobre jornada no Brasil preocupa empresários: O crescimento das maquiladoras paraguaias ocorre justamente em meio às discussões sobre aumento de custos trabalhistas no Brasil. Empresários acompanham com atenção propostas que defendem o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas.

Caso a mudança seja aprovada, trabalhadores paraguaios passariam a trabalhar cerca de 416 horas a mais por ano em comparação aos brasileiros — o equivalente a aproximadamente 50 dias úteis extras de trabalho. Para parte do setor produtivo, isso poderia ampliar ainda mais a vantagem competitiva do Paraguai.




Exportações bilionárias deixam arrecadação fora do Brasil: As maiores empresas brasileiras instaladas no Paraguai já movimentam cifras bilionárias. Dados da plataforma Datasur apontam que as 10 maiores maquiladoras brasileiras no país exportaram juntas cerca de US$ 1,3 bilhão em 2025.

Como a produção ocorre fora do território nacional, o Brasil deixa de arrecadar impostos sobre parte relevante dessas operações. Além disso, especialistas avaliam que o crescimento das maquiladoras paraguaias pode continuar acelerando caso o ambiente de negócios brasileiro siga sendo considerado complexo e caro para a indústria. (Foto: Pixabay; Fonte: Poder360)

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