Embaixador na Itália diz que extradição de Carla Zambelli pode levar até um ano

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O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, afirmou em entrevista ao UOL que uma eventual prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Itália e seu possível retorno ao Brasil por meio de extradição pode se arrastar por vários meses.

Segundo ele, apesar da repercussão política, a situação segue os mesmos trâmites de qualquer outro processo envolvendo cidadãos brasileiros com pendências judiciais.

“A situação de Zambelli não é diferente de qualquer outro cidadão que cometeu crime, que está em dívida com a Justiça brasileira”, disse Mosca ao UOL. Segundo o diplomata, atualmente há 15 outros pedidos de extradição tramitando junto à embaixada.

O pedido de extradição da deputada foi entregue ao governo italiano no dia 12 de junho. Desde então, a investigação não teve avanços concretos. “Depois de quase três semanas, não se tem ainda nenhuma informação concreta da localização dela”, afirmou.

Informações não confirmadas indicam que Zambelli e o marido teriam passado por Roma e pela região de Nápoles.
Mosca explicou ao UOL que tanto a prisão quanto o processo de extradição são lentos, com etapas jurídicas e políticas.

“Isso pode levar 30, 60, 90 dias. Pode se arrastar por meses, e é normal que seja assim”, avaliou. “Mesmo a extradição, que é um processo jurídico ou judicial e político, pode levar até um ano.”

Outro ponto destacado foi o pedido da Interpol para difusão vermelha, que entrou em vigor poucas horas após a chegada de Zambelli à Itália. Apesar disso, não há mandado de busca domiciliar contra a deputada — ou seja, ela só pode ser presa em locais públicos. “Enquanto ela estiver em locais que representem o seu domicílio, ela não pode ser presa”, explicou o embaixador.

Ele também rejeitou tese de perseguição política: “É importante separar as coisas para que esse caso não se transforme numa narrativa política que não faz sentido, porque, na verdade, é um crime comum, tipificado no Código Penal italiano.”

O embaixador ainda lembrou que o Brasil já colaborou com a Itália em outros casos de extradição. “Estamos muito tranquilos porque a nossa cooperação funciona de uma maneira geral muito bem”, concluiu. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: UOL)

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