A Assembleia Legislativa de El Salvador aprovou uma reforma constitucional que elimina restrições à reeleição presidencial, abrindo espaço para que Nayib Bukele permaneça no cargo por tempo indefinido.
A proposta, apresentada na quinta-feira (31) pelo partido Novas Ideias — liderado por Bukele e majoritário no Parlamento — promove uma ampla mudança nas regras eleitorais do país.
Entre os pontos centrais da reforma estão a autorização para reeleições ilimitadas, a ampliação dos mandatos de cinco para seis anos e o fim do segundo turno nas eleições presidenciais.
A votação resultou em 57 votos favoráveis, todos de deputados governistas, e apenas três contrários. Ernesto Castro, presidente da Assembleia e aliado próximo de Bukele, celebrou o resultado: “Obrigado por fazerem história”, declarou após a aprovação.
Com a nova legislação, o presidente poderá concorrer quantas vezes desejar, sem qualquer limitação legal. Segundo a deputada Ana Figueroa, da base aliada, a medida fortalece o papel do eleitor. “É muito simples, El Salvador: só você terá o poder de decidir por quanto tempo deseja apoiar o trabalho de qualquer autoridade pública, incluindo do presidente”, afirmou durante a sessão.
Além da questão da reeleição, o texto também prevê a unificação do calendário eleitoral, fazendo com que eleições presidenciais, legislativas e municipais passem a ocorrer no mesmo ano, a partir de 2027. Para isso, o atual mandato de Bukele deverá ser encurtado, alinhando as datas dos próximos pleitos.
A oposição, no entanto, criticou a reforma e o modo como foi conduzida. Parlamentares denunciaram uma suposta falta de debate, já que o projeto foi votado diretamente em plenário, sem passar por comissões temáticas. “Hoje morreu a democracia em El Salvador. Eles tiraram as máscaras”, declarou a deputada Marcela Villatoro, da Aliança Republicana Nacionalista (Arena). (Foto: reprodução redes sociais; Fonte: Folha de SP)
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