Por que conselheiro de Lula está preocupado em enfrentar Flávio Bolsonaro

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Conselheiro de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha afirmou que o PT cometeu um equívoco ao celebrar a definição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário na disputa presidencial.

Na avaliação dele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria um nome mais simples de enfrentar eleitoralmente.

“Eu não sei direito por que comemoraram. Do meu ponto de vista, a candidatura do Tarcísio era mais fácil de ser derrotada do que a do Flávio. É o contrário”, disse Cunha em entrevista ao Estadão.

Segundo o petista, governadores paulistas historicamente encontram obstáculos em disputas nacionais. Ele citou derrotas de José Serra e Geraldo Alckmin, ambos pelo PSDB, ao afirmar que “o padrão cultural de gestão paulista não entra no Brasil”.

Para João Paulo, outro ponto é que a rejeição ao sobrenome Bolsonaro já está consolidada no eleitorado. “A rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaros, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula”, avaliou.

Em relação a Tarcísio, o ex-deputado disse enxergar margem para desgaste ao longo da campanha. “É um candidato novo, meio desconhecido no Brasil. Quando ele começar a fazer campanha e todo mundo começar a criticar, a rejeição dele pode passar a do Flávio”, afirmou. Para ele, a eleição tende a ser “acirrada” e decidida “pau a pau”.

Cunha também demonstrou ceticismo quanto à viabilidade de uma terceira via e questionou alianças fora do bolsonarismo. Citou nomes como Romeu Zema (Novo-MG) e os governadores do PSD Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite. “Alguém acha que o Zema vai apoiar o Ratinho ao invés de apoiar o Flávio Bolsonaro?”, questionou.

O ex-presidente da Câmara reconheceu ainda que o governo demorou a se aproximar de partidos de centro. “Perdemos um pouco do tempo. Se a gente tivesse começado isso há 1 ano, talvez estivéssemos em uma situação um pouco melhor”, admitiu.

Defendeu a ampliação de alianças, sem abrir mão da identidade partidária: “O PT tem a obrigação quase histórica de continuar sendo de esquerda. Agora, o governo precisa sinalizar e avançar para o centro”.

Embora Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destaquem indicadores como queda do desemprego e valorização da Bolsa, Cunha avalia que a economia não será o principal eixo da campanha.

“Os números são positivos e precisam ser divulgados. No entanto, vivemos um momento em que isso é insuficiente”, afirmou. Ele considera difícil reduzir a rejeição ao presidente e prevê uma disputa marcada por críticas e desinformação: “Será uma disputa muito baixa. O grande desafio é conseguir fazer uma campanha em que não cometam muitos erros. Porque, se jogar do jeito que está, o Lula vai ganhar”.

Sobre a vaga de vice-presidente, João Paulo disse que Geraldo Alckmin “foi tão bom que o prêmio a ele é ser o que ele quiser”. Ainda assim, ponderou que o ideal é escolher “alguém que possa acrescentar mais” à chapa. (Foto: redes sociais; Fonte: Estadão; Poder360)

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