O município de Itaubal apresenta um cenário que evidencia desafios estruturais profundos. Dados oficiais indicam que cerca de 93% dos pouco mais de 6 mil moradores dependem diretamente do Bolsa Família como principal fonte de renda, revelando um nível elevado de dependência de políticas assistenciais.
A fragilidade econômica local se reflete no mercado de trabalho praticamente inexistente. Com pouco mais de duas dezenas de empregos formais, a cidade registra algo próximo de uma vaga com carteira assinada para cada 215 habitantes.
Em comparação, o índice nacional gira entre 20% e 25% da população empregada formalmente, enquanto a Região Norte apresenta cerca de 14%.
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, há apenas 29 trabalhadores formais em toda a cidade. Isso praticamente elimina a dinâmica de um mercado de trabalho estruturado e reforça a dependência do setor público.
A renda média anual por pessoa gira em torno de R$ 15 mil. Em contraste, o salário anual do prefeito ultrapassa R$ 173 mil, o que, embora legal, amplia a percepção de desigualdade entre a administração pública e a realidade da população.
A economia do município também revela forte concentração estatal. Levantamento citado pela consultoria Caravela aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) local é de cerca de R$ 87,9 milhões, sendo que aproximadamente 72,7% desse valor vêm da administração pública. Na prática, o próprio Estado funciona como principal motor econômico da cidade.
O orçamento municipal previsto para 2024 ultrapassa R$ 20 milhões em receita líquida. Desse total, cerca de R$ 10 milhões são destinados ao pagamento de pessoal, com 651 servidores ativos. Já a arrecadação própria não chega a R$ 800 mil, evidenciando a baixa capacidade de geração de receita local.
Outro indicador que chama atenção é a frota de veículos: são menos de 80 automóveis registrados, o que equivale a aproximadamente 13 carros por mil habitantes — índice comparável ao de países de baixa renda. Essa limitação impacta diretamente a mobilidade, o acesso a serviços e o desenvolvimento econômico.
Sem uma base produtiva consolidada, o município enfrenta um ciclo difícil de romper: a falta de empregos reduz a arrecadação, que por sua vez limita investimentos e impede a criação de novas oportunidades.
História do município
A formação de Itaubal remonta à década de 1930, quando famílias vindas, principalmente, das ilhas do Pará se estabeleceram na região em busca de terras férteis e recursos naturais. A economia inicial era baseada na agricultura.
O nome da cidade tem origem na abundância da madeira itaúba, espécie de alto valor comercial que, com o passar do tempo e o avanço do desmatamento, tornou-se cada vez mais rara na região.
Na década de 1940, novos moradores chegaram levando a imagem de São Benedito, que se tornou o padroeiro local. Já em 1988, Itaubal foi elevado à condição de distrito de Macapá.
Poucos anos depois, em 1991, um plebiscito definiu a emancipação da localidade, oficializada em 1º de maio de 1992, com a criação do município de Itaubal do Piririm por meio de legislação estadual.
Atualmente, a cidade é administrada pelo prefeito Jaisom da Costa Picanço. (Foto: divulgação; Fontes: Sociedade MIlitar; Click Petróleo e Gás)

