Após o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo Lula passou a analisar possíveis estratégias de negociação para reduzir os impactos da medida, que deve começar a valer em 1º de agosto.
Uma das possibilidades em discussão seria propor uma redução da alíquota para 30%, segundo informações do colunista Gustavo Uribe, da CNN Brasil. Outra hipótese seria solicitar o adiamento da aplicação da tarifa por um período de 60 a 90 dias, além da proposta de criar cotas de exportação para produtos como café e suco de laranja.
Em meio a conversas internas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou seus ministros a conduzirem o diálogo com os Estados Unidos com “firmeza” e “sobriedade”.
Segundo apuração da CNN, Lula acredita que o histórico de negociações com Trump exige uma postura firme, sob risco de o país ser ignorado. Por isso, tanto a diplomacia quanto o setor empresarial devem manter uma linha de defesa dos interesses nacionais, sem se intimidar diante de pressões americanas.
Apesar das discussões em curso, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, negou que o governo já tenha feito qualquer proposta oficial aos norte-americanos. Não houve manifestação a respeito da informação do colunista da CNN se o governo federal tem ao menos o objetivo de realizar os pedidos.
“Não tem procedência, o governo não pediu prorrogação de prazo e não fez nenhuma proposta sobre alíquota, sobre percentual”, afirmou.
Alckmin defendeu que a administração federal está primeiro ouvindo os segmentos mais impactados para, só então, definir uma estratégia conjunta. “O que estamos fazendo é ouvindo os setores mais envolvidos, para o setor privado participar e se mobilizar com seus parceiros nos Estados Unidos”, completou.
Com esse objetivo, o governo criou um comitê interministerial que será responsável por elaborar a resposta oficial à tarifa imposta por Washington. A primeira reunião está marcada para esta terça-feira (15) e será dividida em dois blocos.
Pela manhã, o encontro será com representantes da indústria, incluindo áreas como aviação, aço, alumínio, celulose e máquinas. À tarde, será a vez do agronegócio, com presença de representantes dos setores de carnes, frutas, mel, couro, pescado e suco de laranja.
A coordenação do comitê ficará a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com apoio da Fazenda, Casa Civil, Itamaraty e Secretaria de Relações Institucionais. Além de buscar um entendimento com os EUA, o grupo também discutirá a diversificação de mercados, caso as negociações não avancem a tempo.
A expectativa do governo é encontrar uma solução diplomática que evite prejuízos econômicos ao país antes da entrada em vigor das tarifas no início de agosto. (Foto: EBC; Fonte: InfoMoney; CNN)
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