A defesa do ex-presidente Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal que o ex-chefe do Executivo precisa ser submetido com urgência a dois procedimentos cirúrgicos, em razão de problemas de saúde que se intensificaram nas últimas semanas.
Os médicos recomendaram internação imediata, por um período entre cinco e sete dias, para duas intervenções: uma voltada ao tratamento de “soluços incoercíveis” e outra destinada a corrigir uma hérnia inguinal.
Diante desse quadro, os advogados solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes que Bolsonaro seja transferido sem demora para um hospital particular em Brasília, onde as cirurgias já estão programadas. (continua)
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(segue) Um relatório assinado pelo médico Claudio Birolini, responsável pelo acompanhamento clínico do ex-presidente, descreve que ele tem apresentado dores e incômodo persistente na região inguinal, agravados pela pressão abdominal gerada pelas crises de soluços.
“Nas últimas semanas tem se queixado de dores e desconforto na região inguinal, potencializados pelo aumento de pressão abdominal intermitente, causada pelas crises de soluços. Assim torna-se necessário o tratamento cirúrgico sob anestesia geral”, diz o documento.
A defesa argumenta que Bolsonaro sofre de soluços prolongados e refratários, classificados como graves, que não responderam a terapias convencionais.
Segundo a petição, o problema seria consequência de intervenções abdominais anteriores e vem comprometendo o repouso, a alimentação, o sono, a respiração e a qualidade de vida do ex-presidente.
Para essa condição, os médicos indicaram o bloqueio anestésico do nervo frênico, procedimento destinado a reduzir a hiperatividade do diafragma.
Outro ponto destacado é a piora de uma hérnia inguinal unilateral. A equipe médica relata que a pressão abdominal causada pelos episódios de soluço tem intensificado a dor, e recomenda a realização de uma herniorrafia inguinal sob anestesia geral.
A defesa do ex‑presidente Jair Bolsonaro apresentou um pedido para o STF para que ele deixe a prisão e seja levado ao hospital, onde poderá realizar exames e uma cirurgia.
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— GloboNews (@GloboNews) December 10, 2025
Pedido de prisão domiciliar
Paralelamente às solicitações médicas, a defesa pediu a Alexandre de Moraes a concessão de prisão domiciliar humanitária, apontando que o atual estado de saúde de Bolsonaro não permite que ele continue custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está preso desde o fim de novembro.
Os advogados afirmam que o ex-presidente sofre de diversas comorbidades agravadas recentemente, entre elas infecções pulmonares recorrentes, gastrite, refluxo gastroesofágico, hipertensão arterial e apneia do sono grave.
O pedido inclui a transferência imediata ao hospital designado e a autorização para deslocamentos exclusivos destinados ao tratamento médico, mediante aviso prévio ou justificativa posterior em caso de emergência.
A defesa também voltou a contestar os fundamentos utilizados pelo STF para negar, anteriormente, o regime domiciliar, especialmente o argumento de risco de fuga após o episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica. (continua)
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Segundo os advogados, houve um quadro de confusão mental provocado por medicamentos prescritos para controlar os soluços — entre eles clorpromazina, gabapentina e pregabalina — levando Bolsonaro a acreditar, de forma alucinada, que o equipamento continha “escutas”.
Os representantes afirmam que não houve tentativa de violar o lacre e que o próprio ex-presidente comunicou o problema aos policiais, permitindo a substituição imediata do dispositivo.
“A postura do peticionante [Bolsonaro] foi inteiramente colaborativa, e não evasiva: paralelamente ao alerta emitido pelo sistema, foi ele próprio quem comunicou imediatamente aos policiais que o equipamento apresentava problema, viabilizando prontamente o acesso e permitindo, sem qualquer resistência, a imediata substituição do dispositivo. Tal comportamento demonstra não apenas a inexistência de qualquer intenção de fuga, sendo incompatível com a leitura de que haveria ato preparatório de evasão”, afirma a defesa.
Os advogados também sustentam que a residência de Bolsonaro estava sob vigilância permanente, com viaturas e câmeras, o que, segundo eles, inviabilizaria qualquer tentativa de fuga e reforça o pedido para que o STF autorize a prisão domiciliar enquanto o ex-presidente realiza o tratamento médico indicado. (Foto: STF; Fonte: Record)

