Os Correios preveem a demissão de pelo menos 10 mil empregados por meio de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que será implementado como parte do plano de reestruturação da empresa.
A medida busca ajustar as contas da estatal, fator determinante para que os bancos liberem o empréstimo de R$ 20 bilhões solicitado, com garantia do Tesouro Nacional, o que reduz o risco para as instituições financeiras. Uma nova rodada de negociações foi aberta para atrair mais bancos e diminuir o custo da operação.
A companhia enfrenta uma grave crise financeira, acumulando prejuízos crescentes desde 2022 e com estimativa de fechar 2025 com um rombo de R$ 10 bilhões. Sem aportes adicionais, o déficit pode chegar a R$ 20 bilhões em 2026, devido a multas por atrasos a fornecedores, e, em cenário extremo, atingir R$ 70 bilhões em cinco anos. (continua)
Os brasileiros recuperaram R$ 455,68 milhões em dinheiro esquecido no sistema financeiro apenas em setembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Banco Central (BC). Desde que o Sistema de Valores a Receber (SVR) foi lançado, já foram devolvidos R$ 12,22 bilhões a correntistas, embora ainda restem R$ 9,73 bilhões disponíveis para saque. Saiba mais!
(segue) Pessoas envolvidas no planejamento afirmam que o número de 10 mil desligamentos é uma referência mínima, considerando que a empresa possui hoje cerca de 85 mil funcionários e que o gasto com pessoal representa 72% dos custos totais.
O PDV será lançado em duas fases. Na primeira, serão aplicadas regras tradicionais, com critérios mínimos de idade e tempo de serviço. Na segunda etapa, serão definidas metas de desligamento por área ou unidade, com base em estudo sobre produtividade das agências e setores.
Atualmente, os Correios possuem cerca de 10 mil unidades de atendimento, sendo 7 mil agências próprias ou franqueadas, mas apenas 15% delas eram superavitárias em 2024. A ideia é identificar agências próximas que possam ser unificadas, estipulando metas específicas de adesão ao PDV, enquanto outros funcionários poderiam ser remanejados.
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, já havia sinalizado em outubro que o programa priorizaria desligamentos em áreas com ociosidade, evitando prejuízos à operação.
Além disso, a gestão busca criar incentivos financeiros atrativos, mas sem sobrecarregar a empresa. No último PDV, em 2024, apenas 3.705 funcionários aderiram. Para aumentar a participação, haverá diálogo com sindicatos, considerando preocupações sobre salários, benefícios do Postalis e o plano de saúde corporativo.
Parte dos recursos do empréstimo de R$ 20 bilhões será utilizada para custear os incentivos do PDV. Embora os gastos iniciais sejam elevados, a expectativa é que a economia gerada com o corte de pessoal contribua para o equilíbrio financeiro da companhia no médio e longo prazo.
O sucesso do programa e a credibilidade das metas são fundamentais para convencer bancos e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o compromisso de tornar os Correios financeiramente viáveis. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

