União Europeia diz que governo brasileiro ignorou alertas para embargos

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A União Europeia afirmou que o embargo imposto a produtos brasileiros, incluindo carne e soja, ocorreu após anos de alertas ao governo e ao setor agropecuário sobre a necessidade de adaptação às exigências sanitárias e de rastreabilidade adotadas pelo bloco.

Em entrevista, o porta-voz da UE para assuntos comerciais, Olof Gill, declarou que o Brasil teve tempo suficiente para apresentar garantias de que os produtos exportados ao mercado europeu atendiam aos critérios exigidos pelas autoridades do continente, mas que isso não ocorreu de forma satisfatória.

“Por três ou quatro anos, pedimos que o Brasil mostrasse evidências para garantir que a cadeia dos alimentos que vão para a Europa, como a carne, atende aos padrões de segurança alimentar e de saúde. O Brasil não fez isso até agora”, afirmou.

Segundo Gill, as exigências europeias relacionadas à segurança alimentar e ao uso de determinadas substâncias em animais de produção são amplamente conhecidas no comércio internacional. Entre os pontos questionados estão restrições ao emprego de medicamentos e hormônios que não são permitidos pelas regras do bloco.

Apesar da decisão de restringir as importações, o representante europeu minimizou possíveis impactos sobre o acordo comercial negociado entre a União Europeia e o Mercosul. Na avaliação dele, a questão pode ser resolvida caso o Brasil adote os mecanismos necessários para comprovar a conformidade de sua produção.

“Acreditamos que o Brasil tem capacidade industrial, o conhecimento e o poder econômico para fazer isso [atender aos parâmetros] facilmente. Então é uma questão simples do Brasil assumir a responsabilidade sobre os produtos que quer enviar para a União Europeia. Se fizerem isso, teremos um belo acordo”, declarou.

O porta-voz também comentou a ação que tramita na Justiça europeia contestando o acordo entre os dois blocos. Para ele, a iniciativa possui forte componente político e reflete a resistência de grupos contrários ao tratado comercial.

Gill evitou estimar quando a Corte Europeia deverá concluir a análise do caso, mas afirmou acreditar que o acordo não enfrenta obstáculos jurídicos relevantes e acabará sendo mantido.

“Infelizmente, é impossível dizer [uma perspectiva]. Não é comparável com processos legais que normalmente tomam um ano, um ano e meio [na Corte]”, disse.

Mesmo com a disputa judicial em andamento, o representante europeu avalia que os efeitos positivos do tratado já começam a ser percebidos gradualmente e tendem a fortalecer o apoio ao acordo dentro do continente. Segundo ele, os benefícios econômicos poderão enfraquecer os argumentos de setores que se opõem à parceria por receio de impactos negativos sobre produtores europeus. E mais: Reforma tributária fará brasileiro ‘voltar a viajar de ônibus’, dispara setor aéreo. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

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