A Marinha informou ao Ministério da Defesa que o bloqueio de R$ 1,43 bilhão previsto no Orçamento de 2026 poderá comprometer, no médio prazo, sua capacidade operacional de combater crimes nas águas brasileiras e garantir a defesa da soberania nacional.
O alerta foi feito em documento enviado pela Força em 13 de julho. Apesar das restrições financeiras, a Marinha afirmou que, até o momento, “não houve redução na execução das operações”.
A corporação, porém, destacou que a manutenção do bloqueio pode provocar impactos progressivos. Segundo a avaliação apresentada ao Ministério da Defesa, “persistindo o bloqueio, a indisponibilidade progressiva dos meios poderá reduzir, de forma gradual, a presença e a capacidade de resposta, com reflexos sobre a repressão a crimes transfronteiriços e o exercício da soberania”.
Entre os programas afetados estão iniciativas consideradas estratégicas para a defesa nacional, como o Programa Nuclear da Marinha (PNM), o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (Pronapa), contratos relacionados a mísseis e sistemas de armas, pesquisas científicas na Antártica e ações de manutenção da frota.
De acordo com a Força, a limitação de recursos já levou à redução, ao adiamento ou à reorganização de alguns projetos. Entre eles estão a construção do navio-patrulha Miramar, obras de infraestrutura de apoio às fragatas da Classe Tamandaré e a compra de veículos e equipamentos destinados ao Corpo de Fuzileiros Navais.
A Marinha também apontou possíveis consequências caso o bloqueio continue, como o adiamento de reparos em embarcações, dificuldades para reposição de munições, risco de paralisação de navios utilizados no sistema hidrográfico e menor disponibilidade de meios empregados na segurança do tráfego aquaviário.
Para tentar minimizar os efeitos da restrição orçamentária, a Marinha solicitou ao Ministério da Defesa a recomposição total ou parcial dos valores bloqueados. A corporação informou ainda que passou a concentrar recursos em áreas consideradas prioritárias, como manutenção de equipamentos, contratos essenciais, operações de fiscalização de maior risco e o funcionamento mínimo das organizações militares.
Apesar dos alertas, a Força reforçou que as operações seguem sendo realizadas e que os efeitos mais significativos dependerão da duração do bloqueio e da eventual liberação dos recursos previstos. E mais: Ministro de Lula xinga Milei de ‘palhaço’ e critica inflação da Argentina. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Metrópoles)

