Um professor de história de uma universidade dos Estados Unidos encontrou uma maneira inusitada de identificar alunos que utilizaram inteligência artificial para responder uma atividade acadêmica. Ao inserir uma instrução escondida no arquivo enviado à turma, ele descobriu que 32 dos 35 estudantes haviam recorrido à ferramenta para realizar o trabalho.
A estratégia foi aplicada por Jason Gibson, professor da Universidade Estadual de Alcorn. Ele adicionou ao PDF da tarefa um comando escrito em fonte branca, invisível aos alunos durante a leitura normal do documento. A orientação direcionada aos sistemas de inteligência artificial era incluir a palavra “Madagascar” em algum trecho da resposta, sem qualquer relação com o conteúdo solicitado.
Ao receber os trabalhos, o professor encontrou frases sem sentido que indicavam a ação do comando oculto, como “Madagascar flutua de lado pela tarde” e “A bicicleta púrpura de Madagascar cochicha para o teto”. Segundo Gibson, os exemplos mostravam que os estudantes copiaram a atividade, inseriram o texto em uma ferramenta de IA e entregaram o resultado sem revisar o material produzido.
O docente explicou, em uma publicação no TikTok, que a intenção não era constranger ou ridicularizar os alunos. Ele afirmou que os estudantes tiveram a possibilidade de questionar as avaliações, mas apenas dois apresentaram contestação.
Gibson também declarou que não é contrário ao uso da inteligência artificial em atividades acadêmicas. Para ele, existe uma diferença entre utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio e simplesmente transferir para a IA a responsabilidade de produzir todo o trabalho.
A popularização do ChatGPT, lançado ao público em novembro de 2022, transformou a rotina de professores em diversos países. Antes mesmo da chegada dessas ferramentas, educadores já enfrentavam dificuldades com estudantes que copiavam conteúdos da internet sem analisar as informações.
Com a inteligência artificial, surgiu uma tecnologia capaz de produzir textos completos em poucos segundos, embora nem sempre com dados corretos.
Inicialmente, muitas instituições tentaram restringir ou proibir o uso de ferramentas como o ChatGPT. No entanto, a adoção da tecnologia entre estudantes avançou rapidamente.
Dados do levantamento TIC Kids Online Brasil 2025 indicam que aproximadamente 65% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam inteligência artificial. Entre os principais usos citados está o auxílio em pesquisas e atividades escolares. (Foto: PixaBay; Fonte: Tecnoblog)
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