A implementação da reforma tributária nos moldes atualmente previstos preocupa o setor de aviação civil. Segundo Peter Cerdá, vice-presidente regional para as Américas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), as mudanças podem provocar uma queda de até 30% na atividade aérea brasileira, além de reduzir o número de passageiros que utilizam o avião como meio de transporte.
Durante entrevista concedida ao portal UOL, o executivo classificou a tributação como o principal desafio enfrentado atualmente pela aviação nacional. Na avaliação dele, a manutenção de uma alíquota próxima de 26% poderá elevar significativamente os custos do setor.
“As viagens aéreas ficarão mais caras e haverá menos brasileiros viajando”, afirmou.
Segundo Cerdá, o Brasil alcançou um resultado histórico em 2024 ao superar a marca de 100 milhões de passageiros transportados em voos domésticos. No entanto, ele acredita que esse avanço pode ser interrompido caso os custos operacionais continuem aumentando.
“O número não vai crescer. Vai diminuir. Vamos regredir em vez de continuar avançando”, declarou.
Para o representante da Iata, a elevação dos tributos terá impacto direto sobre o preço das passagens e poderá reverter uma transformação observada nas últimas décadas, quando o transporte aéreo se tornou mais acessível para milhões de brasileiros.
“Sabemos que existe sensibilidade ao preço. À medida que os custos aumentam, as pessoas que trocaram o ônibus pelo avião voltarão para o ônibus, porque viajar ficará caro demais”, disse.
Cerdá defende que o transporte aéreo seja tratado como um serviço estratégico para um país das dimensões do Brasil. Segundo ele, a conectividade proporcionada pela aviação não beneficia apenas passageiros, mas também o transporte de cargas, medicamentos, alimentos e outros serviços essenciais, especialmente em regiões mais isoladas.
Apesar do crescimento recente da demanda, o executivo afirma que alguns indicadores apontam perda de competitividade. De acordo com dados apresentados pela entidade, o país possui atualmente menos rotas e menos frequências de voos do que antes da pandemia de covid-19. Embora a oferta de assentos tenha aumentado, a malha aérea ainda não teria recuperado integralmente os níveis registrados em 2019.
Na visão da Iata, a prioridade das autoridades deveria ser criar condições para que as companhias já instaladas no Brasil possam ampliar suas operações de maneira sustentável.
O dirigente também criticou o preço do querosene de aviação no mercado brasileiro e acusou a Petrobras de se beneficiar de sua posição dominante para praticar valores elevados. “Infelizmente, a Petrobras está se aproveitando da situação para cobrar mais e aumentar seus lucros, quando deveria ajudar os setores produtivos a operar de forma mais eficiente”, declarou.
Segundo ele, o custo do combustível, somado ao elevado volume de disputas judiciais envolvendo o setor e à perspectiva de aumento da carga tributária, acaba pressionando as tarifas cobradas dos passageiros.
“O consumidor acaba pagando a conta. Mas normalmente ele vê apenas o lado da companhia aérea e culpa as empresas pelo aumento das tarifas”, afirmou. E mais: Xuxa pode ser condenada em ação milionária na Justiça. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio; Fonte: UOL)

