O ex-proprietário da rede Farma Conde, Manoel Conde Neto, declarou em delação premiada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que a concorrente Ultrafarma teria sonegado até 60% de suas vendas.
O depoimento, revelado neste domingo (18) pelo Fantástico, da TV Globo, aponta que os preços praticados pela empresa eram “inexplicáveis”.
“Estava na cara que a sonegação lá era e é até hoje muito grande”, disse Conde. Ele admitiu que também cometia irregularidades, mas em proporção menor. “Mesmo sonegando, e eu sonegava 10% do que vendia. Eles sonegavam 60% do que vendiam e estava na cara que a sonegação lá era e é até hoje muito grande.”
A delação de Conde faz parte de um acordo firmado em 2017, quando o esquema de sonegação na Farma Conde foi descoberto. Na época, a rede devolveu R$ 300 milhões aos cofres públicos, e o empresário recebeu perdão judicial. O caso também levou o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, a fechar acordo com a Justiça em junho deste ano, pagando R$ 32 milhões para encerrar uma ação de fraude fiscal.
Na última semana, no entanto, Sidney voltou a ser preso, desta vez acusado de participar de um esquema de corrupção chefiado pelo auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado pelo MP-SP como o “cérebro” de uma fraude bilionária ligada a créditos irregulares de ICMS. Segundo os promotores, empresas como Ultrafarma e Fast Shop contratavam a empresa de fachada Smart Tax, usada para simular serviços tributários. A companhia sequer possuía estrutura ou funcionários técnicos.
Além de Sidney e Artur, foram presos o auditor Marcelo de Almeida Gouveia, o executivo da Fast Shop Mario Otavio Gomes, e um casal acusado de lavagem de dinheiro, Tatiane de Conceição Lopes e Celso Éder Gonzaga de Araújo. Os executivos foram soltos após pagar fiança de R$ 25 milhões cada, enquanto Tatiane teve a prisão convertida em domiciliar. Os demais permanecem presos.
As investigações continuam e já colocam sob suspeita outras companhias. Entre elas, estão Oxxo, Rede 28 Postos de Combustíveis e Allmix Distribuidora. O MP-SP, porém, ainda não detalhou a participação dessas empresas.
A Ultrafarma declarou estar colaborando com as autoridades e afirmou ao Fantástico que provará sua inocência. A defesa de Artur Gomes contesta a prisão preventiva e não se manifestou sobre as irregularidades. Já os advogados de Marcelo Gouveia alegam que sua detenção é injusta. A Fast Shop também afirmou que coopera com as investigações.
A Secretaria da Fazenda de São Paulo confirmou que abriu procedimento administrativo, mas não informou se os auditores investigados foram afastados dos cargos. (Foto: divulgação; Fonte: UOL)

