O Ministério da Defesa da China elevou o tom nesta quinta-feira (27) ao afirmar que o Japão enfrentará um “preço doloroso” caso ultrapasse o que Pequim considera limites inegociáveis envolvendo Taiwan.
A advertência surge após o governo japonês avançar com a instalação de um sistema de mísseis em uma ilha situada a pouco mais de 100 km do território taiwanês.
A reação chinesa ocorre em meio ao momento mais tenso das relações entre os dois países em muitos anos. A crise diplomática ganhou força depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que uma eventual ofensiva chinesa contra Taiwan poderia acionar uma resposta militar de Tóquio. (continua)
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(segue) No último domingo (23), o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou que os preparativos para posicionar uma unidade de mísseis terra-ar de médio alcance em Yonaguni — localizada a aproximadamente 110 km da costa leste taiwanesa — estão “avançando firmemente”.
Diante das críticas já expressas pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, o Ministério da Defesa de Pequim reforçou que a “solução da questão de Taiwan” é um tema exclusivamente interno. Lembrou ainda que o Japão administrou a ilha entre 1895 e 1945, período que, segundo os chineses, deveria inspirar maior reflexão histórica por parte de Tóquio.
O porta-voz Jiang Bin acusou o governo japonês de ignorar seu passado colonial e alimentar “a ilusão de uma intervenção militar no Estreito de Taiwan”.
Ele acrescentou que o Exército de Libertação Popular dispõe de meios sólidos para enfrentar qualquer adversário, alertando que, caso o Japão “ousar cruzar a linha, mesmo que minimamente, e atrair problemas para si, inevitavelmente pagará um preço doloroso”.
Taiwan, por sua vez, mantém a posição de que apenas seus habitantes têm o direito de decidir o futuro da ilha, rejeitando categoricamente as reivindicações de soberania feitas por Pequim.
Em meio à escalada de tensões, o presidente taiwanês, Lai Ching-te, apresentou nesta semana um plano para investir US$ 40 bilhões adicionais em defesa ao longo dos próximos oito anos. A China criticou o anúncio, classificando-o como desperdício de recursos que levaria Taipé ao “desastre”.
Questionado sobre essa avaliação, o porta-voz do Conselho de Assuntos Continentais, Liang Wen-chieh, ressaltou que os gastos militares de Pequim superam de longe os de Taiwan.
“Se eles dessem importância à paz entre os dois lados do Estreito, esse dinheiro também poderia ser usado para melhorar a economia da China continental e a qualidade de vida da população”, disse.
Ele afirmou ainda que a redução da hostilidade seria benéfica para todos: “Os dois lados do Estreito não estariam mais nessa situação de hostilidade; isso seria bom para todos.”
Enquanto isso, forças chinesas mantêm operações quase diárias ao redor de Taiwan, tanto em águas quanto no espaço aéreo, movimento interpretado pelo governo taiwanês como parte da estratégia de pressão contínua de Pequim.
Trump apela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu à primeira-ministra do Japão, Sanae Takiachi, que não intensificasse ainda mais a disputa com a China durante as negociações desta semana, disse a CNN EUA.
Em uma conversa telefônica na terça-feira (25) com Takaichi, Trump disse que não queria ver uma escalada ainda maior, afirmaram duas fontes do governo japonês, ainda de acordo com a CNN.
No entanto, o americano não fez exigências específicas a Takaichi, disse uma das fontes, sugerindo que ele não concordou com o pedido de Pequim por uma retratação.
A conversa ocorreu depois que Trump falou com o presidente chinês Xi Jinping, que disse ao líder americano que o retorno de Taiwan à China era fundamental para a visão de Pequim sobre a ordem mundial, segundo a agência de notícias oficial Xinhua. Taiwan, governada democraticamente, rejeita a reivindicação de soberania de Pequim. E mais: Megaoperação mira empresa do ramo de combustível por sonegação. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: CNN)

