O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deverá se pronunciar sobre a existência de eventual conflito de interesse envolvendo a atuação do ministro Dias Toffoli no inquérito que investiga fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
A análise se tornou necessária após a Polícia Federal (PF) identificar referências ao magistrado no telefone celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. (continua)
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(segue) Caberá a Fachin, em última instância, decidir se Toffoli reúne condições para continuar à frente da supervisão do procedimento. Até o momento, o presidente da Corte não se manifestou oficialmente sobre o caso.
As menções ao nome de Toffoli foram encontradas durante perícia realizada no aparelho de Vorcaro, informação inicialmente divulgada pelo UOL. A revelação intensificou a pressão interna e externa sobre a manutenção do ministro como relator do processo no STF.
Antes mesmo dessa descoberta, a condução do inquérito por Toffoli já vinha sendo alvo de críticas. O ministro determinou o grau máximo de sigilo sobre as investigações e adotou medidas consideradas atípicas, como a decisão de manter sob custódia as provas recolhidas durante a segunda fase da Operação Compliance Zero.
Diante das reações, Toffoli encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República (PGR) e designou quatro peritos para auxiliar na análise dos elementos apreendidos.
Outro ponto que alimentou questionamentos foi a viagem do magistrado ao Peru, por ocasião da final da Copa Libertadores, em um avião particular pertencente a um advogado que atua no caso envolvendo o Banco Master.
A situação ganhou novos contornos após a divulgação de que familiares de Toffoli, ligados ao resort Tayayá, mantinham vínculos com fundos de investimento associados a Vorcaro.
Em 29 de janeiro, o ministro divulgou uma nota pública rebatendo as críticas e, nos bastidores, afastou a possibilidade de solicitar seu afastamento da relatoria.
Após identificar as referências ao ministro, a Polícia Federal comunicou formalmente Edson Fachin sobre a existência de arquivos que podem indicar indícios de irregularidades atribuídas a Toffoli. Apesar disso, a PF não apresentou pedido formal de suspeição do magistrado.
De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, mensagens analisadas no celular de Daniel Vorcaro conteriam menções a supostos pagamentos envolvendo o ministro do STF.
A perícia foi concluída nesta quarta-feira (11). Nas conversas, o primo do empresário, Fabiano Zettel — também investigado — aparece fazendo referências diretas a esses repasses.
Investigadores relataram ainda que o próprio Toffoli seria citado em mensagens que tratam de pagamentos de maneira cifrada, segundo uma fonte ligada à apuração.
Uma das frentes investigativas da PF busca esclarecer se eventuais transferências de recursos teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo vinculado ao Banco Master no resort Tayayá, local frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos. (Foto: reprodução; Fonte: UOL; CNN)

