Um diálogo interceptado pela Polícia Federal envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um de seus assessores passou a integrar oficialmente a investigação que mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A conversa foi mencionada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na decisão que autorizou a operação de busca e apreensão realizada nesta quinta-feira (7).
O trecho citado pelo magistrado trata de despesas atribuídas ao senador durante viagens internacionais e, segundo a Polícia Federal, reforçaria a suspeita de que Vorcaro custeava gastos pessoais do parlamentar.
Na conversa, Léo Serrano, assessor ligado ao ex-banqueiro, pergunta:
“Só uma pergunta rápida… é pros meninos continuarem pagando conta dos restaurante do Ciro/Flávia até sábado?”
Daniel Vorcaro responde em seguida:
“Sim. Depois leva meu cartão para Sr. Barth”.
A menção seria uma referência à ilha caribenha de São Bartolomeu, conhecida como Saint Barth, destino frequentado por empresários, celebridades e milionários.
Segundo a investigação, o diálogo foi anexado “a título ilustrativo” para demonstrar o que a PF descreve como pagamento de despesas pessoais do senador por parte do dono do Banco Master.
Na decisão, André Mendonça afirma que os elementos reunidos até agora apontam para benefícios que incluiriam hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes de alto padrão e outras despesas ligadas ao parlamentar e à sua acompanhante.
“Segundo a representação, tais vantagens teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York, despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”, escreveu o ministro.
A decisão também menciona a suposta disponibilização de um cartão para cobertura de despesas pessoais durante as viagens.
Para Mendonça, o conjunto de indícios apresentados pela Polícia Federal justifica o aprofundamento das investigações e a adoção de medidas cautelares para evitar destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
“Considerados em conjunto e em juízo de cognição sumária, próprio desta fase, tais elementos reforçam a necessidade de aprofundamento probatório e de cautelas a serem adotadas para que provas não sejam ocultadas e ajustes não sejam realizados entre os investigados”, afirmou o ministro na decisão.
Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da nova fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal sustenta que Daniel Vorcaro realizava pagamentos mensais de até R$ 500 mil ao senador e, em contrapartida, buscava apoio político e defesa de interesses do Banco Master em Brasília.
A defesa do senador nega irregularidades e afirma repudiar “qualquer ilação de ilicitude” relacionada à atuação parlamentar de Ciro Nogueira. E mais: Câmara avança com alterações no estatuo do desarmamento. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)

