Esquerda brasileira e aliados internacionais de Maduro criticam EUA por ofensiva na Venezuela

direitaonline




O anúncio de uma ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, feito neste sábado (3) pelo presidente americano Donald Trump, desencadeou uma onda de reações no Brasil e no cenário internacional. Segundo Trump, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa teriam sido capturados e retirados do país, embora até o momento não haja confirmação oficial sobre o paradeiro do líder chavista.

No Brasil, parlamentares da esquerda usaram as redes sociais para criticar duramente a ação americana, classificando-a como uma violação da soberania venezuelana e das normas do direito internacional. Deputados também manifestaram solidariedade à população civil do país vizinho, que enfrenta um cenário de instabilidade após relatos de explosões e ataques aéreos.

Já o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se manifestou oficialmente, seja pelo Itamaraty ou pelas redes sociais de Lula.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, afirmou que a ofensiva representa uma ameaça à região. “O imperialismo exporta guerra e destruição, da Palestina à América Latina. Ataque merece repúdio e condenação rápida. É um ataque à América do Sul que viola todas as regras do direito internacional”, escreveu.




Na mesma linha, a líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone, classificou a ação militar como “inaceitável à soberania do povo venezuelano e de toda a América Latina”. Segundo ela, os interesses econômicos estariam no centro da ofensiva. “Trump já deixou claro: quer as reservas de petróleo da Venezuela, não tem interesse em aprofundar a democracia naquele país, tampouco em combater o narcotráfico”, afirmou.

Já o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) cobrou uma manifestação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o episódio. Em publicação, ele classificou a ofensiva como “terrorismo de Estado pra controlar as reservas de petróleo” e defendeu uma resposta imediata da comunidade internacional. “É fundamental a condenação de toda comunidade internacional a esse a crime gravíssimo e sem precedentes. A manifestação do presidente Lula nesse sentido é imprescindível e urgente”, escreveu.

Veja também!
Urgente: EUA atacam Venezuela e capturam Maduro e a esposa

Ministro André Mendonça deixa de tirar recesso de fim de ano; Saiba motivo

Eduardo reage à decisão da PF de mandá-lo retomar cargo de escrivão

Do lado venezuelano, o governo afirmou que o país foi alvo de uma “agressão militar” dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem Caracas e outras regiões durante a madrugada. Diante do cenário, as autoridades decretaram estado de emergência nacional. Segundo comunicado oficial, ataques também foram registrados nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, o que levou à mobilização das forças de defesa.




A repercussão internacional foi imediata. A Rússia condenou a ação americana e afirmou que não havia justificativa para o ataque. Em comunicado divulgado neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores russo declarou: “Na manhã de hoje, os EUA cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável”. Moscou acrescentou que “a hostilidade ideológica triunfou sobre o pragmatismo dos negócios” e defendeu que a América Latina continue sendo uma “zona de paz”.

O governo russo também se disse “extremamente preocupado” com os relatos de que Maduro e sua esposa teriam sido retirados à força do país, afirmando que “tais ações, se realmente ocorreram, constituem uma violação inaceitável da soberania de um Estado independente”, e cobrou esclarecimentos imediatos de Washington.

Outro aliado de Caracas, o Irã, classificou a ofensiva americana como “uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial” e pediu que o Conselho de Segurança da ONU “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal”.




Na Europa, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou ter conversado com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o embaixador europeu na Venezuela. Em nota, ela ressaltou que “a UE repetidamente declarou que Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica”, mas alertou que “em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados. Pedimos moderação”.

A Espanha se colocou à disposição para atuar como mediadora em busca de uma solução pacífica, enquanto a Alemanha informou acompanhar a situação com grande preocupação. Segundo documento obtido pela agência Reuters, o Ministério das Relações Exteriores alemão mantém contato próximo com a embaixada em Caracas e convocou uma equipe de crise para avaliar os desdobramentos.

Na América Latina, Trinidad e Tobago afirmou que não participa das operações militares americanas. “Trinidad e Tobago continua a manter relações pacíficas com o povo da Venezuela”, declarou a primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, foi o único líder regional a demonstrar apoio público à ofensiva, ao escrever no X: “A liberdade avança. Viva a liberdade, c…”.




O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, exigiu “uma reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela” e afirmou que “nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América”. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, classificou os ataques como “sem justificativa” e afirmou que os Estados Unidos agiram “de forma covarde”, destacando que a Venezuela “nunca agrediu os Estados Unidos nem qualquer outro país”.

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales também se manifestou, afirmando: “Condenamos veementemente o bombardeio dos EUA à Venezuela. Trata-se de um ato brutal de agressão imperial que viola sua soberania. Nossa total solidariedade ao povo venezuelano em sua resistência”.

Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro divulgou um comunicado oficial no qual expressou profunda preocupação com os relatos de explosões e atividades aéreas incomuns no país vizinho. Petro determinou a mobilização de militares para a fronteira e pediu uma reunião imediata da OEA e da ONU para discutir a legalidade da ação. Em declaração, afirmou:

“Como membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, buscamos convocar o Conselho. O governo colombiano repudia a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina. Conflitos internos entre povos são resolvidos pacificamente pelos próprios povos”, acrescentando que “sem soberania, não há nação” e que “a paz é o caminho a seguir”.




O presidente do Chile, Gabriel Boric, também condenou a ofensiva e afirmou que o país encara o episódio com preocupação, reiterando apoio à “solução pacífica das controvérsias internacionais e a integridade territorial dos estados”.

Apesar da escalada retórica e militar, até o momento não há confirmação oficial sobre vítimas ou a extensão dos danos causados pelos ataques. Analistas alertam para o risco de agravamento da crise regional, com possíveis impactos na economia latino-americana, especialmente no mercado de petróleo, além de efeitos diplomáticos para países como o Brasil, que mantêm relações comerciais com a Venezuela e dependem da estabilidade na fronteira norte. (Foto: reprodução; Fontes: UOL; Folha de SP; Reuters)

Ajude o Direita Online! Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Next Post

Veja como ficou base aérea em Caracas após ataque dos EUA

Um incêndio e danos estruturais foram registrados na manhã deste sábado (3) na Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, conhecida como La Carlota, considerada a principal instalação militar aérea de Caracas. As informações foram confirmadas pela agência EFE horas após o governo de Nicolás Maduro acusar os Estados Unidos de […]