PF encontra registro de R$ 33 milhões pagos pelo Master a escritório ligado a ex-braço direito de Gilmar

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Documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante as investigações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) registram um pagamento de R$ 33 milhões, realizado pelo Master em 2024, ao escritório Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa. A informação foi publicada pelo jornal O Estadão.

Dalide Corrêa ocupou o cargo de diretora do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois se distanciaram em 2017, em meio a desentendimentos relacionados à administração do instituto, segundo informações de bastidores.

A relação profissional entre a advogada e o ministro começou antes disso. Dalide conheceu Gilmar Mendes quando ele ocupava o posto de advogado-geral da União durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Naquele período, ela era responsável pela área jurídica da Caixa Econômica Federal.

Segundo O Estadão, além do registro financeiro, o nome da advogada aparece em mensagens trocadas por integrantes da direção do Banco Master. Em uma dessas conversas, a atuação do escritório é mencionada como um “canal direto com o STF”.

A referência consta em um diálogo entre Ângelo Ribeiro, diretor da área financeira do Master, e Alberto Félix, superintendente executivo de Tesouraria da instituição.

Ribeiro teria orientado o subordinado a realizar o pagamento ao escritório de Dalide e utilizado a expressão para justificar a operação. As mensagens, porém, não explicam o que os envolvidos queriam dizer com “canal direto com o STF”.

Os valores pagos a escritórios de advocacia chamaram a atenção em uma auditoria interna realizada pelo BRB no contexto da operação que envolveu a instituição e o Banco Master.

O levantamento apontou que os gastos jurídicos do banco cresceram de maneira expressiva em 2024. Ao todo, foram registrados R$ 215 milhões em despesas no ano fiscal, contra R$ 76 milhões em 2023.

Entre os pagamentos destacados pela auditoria estavam R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e os R$ 33 milhões pagos à banca de Dalide Corrêa.

“Do total de R$ 215 milhões no FY24 [ano fiscal de 2024] (comparado com R$ 76 milhões em FY23), a maior parte refere-se a R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, seguido de R$ 33 milhões pagos ao Alves Corrêa [da advogada Dalide Corrêa]. Consideramos essencial compreender o nível habitual dessas despesas para avaliar seu impacto no modelo financeiro. Contudo, não recebemos da administração uma definição sobre o patamar usual para esse tipo de gasto”, diz trecho do documento encontrado pela PF com dirigentes do BRB.

A contratação do escritório de Dalide ocorreu durante o período em que avançavam as tratativas relacionadas à venda de ativos do Master para o BRB. A auditoria interna tinha entre seus objetivos avaliar aspectos da operação e verificar a estrutura financeira envolvida no negócio.

Em manifestação enviada ao Estadão, Dalide negou ter atuado em favor do Banco Master perante o Supremo ou ter procurado integrantes da Corte para tratar de interesses da instituição.

“jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”. “Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”, complementou, em nota, a assessoria da advogada.

Gilmar Mendes foi procurado pelo Estadão por meio de sua assessoria para comentar o caso, mas não se pronunciou.

Até o momento, a Polícia Federal não informou a existência de diligências específicas relacionadas ao contrato firmado com o escritório de Dalide Corrêa. Também não há, nos documentos mencionados, uma conclusão da investigação sobre a legalidade dos serviços contratados ou dos pagamentos realizados.

Os registros fazem parte do material obtido pela PF durante as diligências envolvendo dirigentes do BRB e passaram a integrar o conjunto de documentos analisados pelos investigadores no âmbito das apurações sobre a operação entre o banco e o Master. (Foto: STF; Fonte: Estadão; Cláudio Dantas)

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