Quem é a pessoa próxima a Gilmar contratada por Vorcaro por R$ 500 mil mensais

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Diálogos apreendidos pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi contratado em 2024 para prestar serviços ao então dono do Banco Master.

As conversas apontam que, em setembro daquele ano, Vorcaro negociou um contrato que previa pagamentos de R$ 500 mil por mês a Chiquinho, além de uma parcela adicional de R$ 800 mil no primeiro pagamento.

O conteúdo das mensagens também sugere que os serviços envolviam interesses relacionados ao setor de educação superior. Há referências a universidades privadas, ao Ministério da Educação (MEC) e a contatos com autoridades e pessoas ligadas a instituições de ensino.

Chiquinho confirmou ter firmado contrato com a empresa Super Empreendimentos, mas não revelou os valores nem detalhou quais serviços foram previstos. Segundo ele, a consultoria ocorreu por um “curto período” e a empresa atuava em “vários segmentos”.

A Super Empreendimentos está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de ter sido utilizada como intermediária em pagamentos feitos por Vorcaro a uma milícia privada e também a agentes públicos.

O ex-cunhado de Gilmar negou, contudo, que sua contratação tivesse como finalidade aproximar o empresário do ministro ou atuar em favor de interesses de Vorcaro no Supremo.

“Não fui contratado para promover ou intermediar a aproximação entre quaisquer pessoas, ou muito menos o ministro Gilmar Mendes”, afirmou Chiquinho, que já exerceu os cargos de deputado federal e senador pelo Ceará.

Apesar da negativa, uma das conversas atribuídas ao número utilizado por Chiquinho registra uma orientação para que Vorcaro buscasse estabelecer contato direto com Gilmar. O diálogo teria ocorrido em abril de 2024, quando os dois estavam em Londres.

“Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro!”, diz a mensagem atribuída ao ex-cunhado do ministro.

No mês seguinte, outra conversa sugere que Chiquinho teria informado a Vorcaro sobre um jantar com Gilmar Mendes e o ministro Cristiano Zanin. Na mensagem, há referência a assuntos “de nosso interesse”.

Chiquinho negou essa versão e afirmou que nunca esteve com Zanin. “isso não consta em nenhuma mensagem que tenha partido do meu telefone”, declarou.

Os diálogos analisados pela PF abrangem, ao menos, o período entre abril de 2024 e junho de 2025. Nesse intervalo, Gilmar Mendes foi relator no STF de ações relacionadas às regras para abertura de novos cursos de medicina, tema que também aparece nas conversas atribuídas ao ex-cunhado.

Em uma das mensagens, há uma referência direta ao Ministério da Educação: “MEC: Andando na velocidade esperada”. Em outro trecho, o interlocutor afirma que “uma pessoa minha” havia encaminhado um contrato para que fosse assinado e para que a nota fosse emitida no dia 15, conforme teria sido combinado.

As conversas também registram tentativas de encontros e referências a compromissos envolvendo Camilo Santana, então ministro da Educação e atualmente senador pelo PT do Ceará.

Uma reunião com Santana teria sido marcada em abril de 2024, mas acabou cancelada. Dois meses depois, em junho, uma mensagem atribuída a Chiquinho afirma que ele estava em Fortaleza no aniversário de Camilo ao lado de Gilmar Mendes. Na sequência, há um pedido para que Vorcaro telefonasse “para vc falar com os dois”.

O então banqueiro respondeu que estava em um voo e não poderia fazer a ligação naquele momento, mas escreveu: “Mande um abraço pro Camilo”.

Procurado, Camilo Santana negou ter recebido, por intermédio de Chiquinho, qualquer solicitação de Vorcaro. O senador também afirmou que jamais atuaria em desacordo com princípios básicos da administração pública.

Em agosto de 2024, outro registro atribuído ao número utilizado pelo ex-cunhado de Gilmar Mendes mostra o envio a Vorcaro de um ofício identificado como sendo do MEC. O documento tinha como título “padrão decisório cursos de medicina”.

Os assuntos relacionados ao ensino superior também aparecem em outras conversas. Meses antes, Vorcaro havia enviado ao interlocutor um contato que seria ligado à Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), instituição que teve participações do Banco Master.

Chiquinho afirmou que chegou a se reunir com uma pessoa indicada por Vorcaro e ligada à universidade gaúcha, mas disse que o objetivo era apenas ouvi-la. “com o objetivo” de ouvi-la, afirmou.

Os diálogos ainda coincidem com um período em que Gilmar Mendes analisava processos no Supremo relacionados à expansão de cursos de medicina. Procurado por meio de sua assessoria, o ministro negou ter tratado de assuntos ligados ao MEC com Vorcaro ou Chiquinho.

A assessoria de Gilmar também afirmou que, no julgamento envolvendo a abertura de novos cursos de medicina, o ministro teria votado em favor da posição do governo, e não das universidades. (Foto: STF; Foto: Folha de SP)

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