Trump inicia nova nova fase de pressão militar sobre a Venezuela

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Em meio à escalada das tensões entre Washington e Caracas, os Estados Unidos voltaram a enviar bombardeiros estratégicos para a região caribenha.

A quarta missão militar em apenas três semanas levou dois aviões B-52 a sobrevoar a costa da Venezuela, país governado por Nicolás Maduro. A movimentação faz parte da política de pressão adotada pelo presidente americano Donald Trump, que desde agosto vem reforçando a presença militar próxima ao território venezuelano.

A ação mais recente ocorreu na quinta-feira (6), quando os B-52, baseados na Dakota do Norte, se aproximaram a cerca de 80 quilômetros da costa venezuelana — distância mínima para um alerta de segurança. Essa foi apenas uma das várias exibições de força dos EUA: no último mês, Trump enviou bombardeiros B-1B e B-52, revitalizou uma base militar desativada há 23 anos em Porto Rico, deslocou caças e submarinos, e despachou o USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, rumo ao Atlântico.




O objetivo da ofensiva ainda é incerto. Trump chegou a afirmar que autorizou a CIA a agir dentro da Venezuela para enfraquecer o regime de Maduro, mas depois negou qualquer intenção de invasão terrestre. Em recentes declarações, o republicano afirmou duvidar de uma guerra direta, embora tenha dito que “o ditador está com os dias contados”.

O presidente americano também justifica as ações como parte de uma estratégia de combate ao narcotráfico, apontando que o governo venezuelano lidera cartéis responsáveis por inundar os EUA com cocaína e fentanil. Desde 2020, Maduro é procurado pelo Departamento de Justiça americano sob acusação de chefiar um grupo “narcoterrorista”. Trump elevou a recompensa por informações que levem à sua prisão para US$ 50 milhões.

Maduro, por sua vez, reage dizendo que o real interesse dos EUA está nas vastas reservas de petróleo venezuelano, as maiores do planeta. Diante da pressão crescente, o venezuelano intensificou os exercícios militares e buscou apoio de seus aliados estratégicos — Rússia, China e Irã. Moscou chegou a prometer suporte, mas até o momento, as manifestações se limitaram ao campo diplomático.



Apesar das limitações, analistas apontam que a Venezuela ainda dispõe de recursos capazes de impor resistência pontual. Seu arsenal inclui caças Su-30 russos e mísseis antinavio, que, em teoria, poderiam ameaçar embarcações americanas. No entanto, o poder militar do país é amplamente inferior ao dos EUA, o que torna qualquer confronto direto praticamente inviável.

Poder militar da Venezuela
A Venezuela possui uma das forças armadas mais bem equipadas da América do Sul, mas o desgaste econômico e o isolamento político reduziram drasticamente sua capacidade operacional nos últimos anos. Estima-se que o país tenha cerca de 120 mil militares ativos, com armamento de origem russa e chinesa, incluindo tanques T-72, caças Su-30 Flanker, helicópteros Mi-17 e sistemas de defesa aérea S-300. No entanto, a falta de manutenção, combustível e peças limita o uso efetivo desses equipamentos.

Em comparação, o Brasil, por outro lado, mantém o maior poder militar da América Latina. As Forças Armadas brasileiras contam com cerca de 360 mil militares ativos, uma frota moderna de caças Gripen E/F, submarinos de ataque — incluindo o Riachuelo, primeiro da classe Scorpène construído no país —, além de um orçamento anual de defesa superior a US$ 20 bilhões, quase dez vezes o da Venezuela.

Enquanto o governo Maduro depende do apoio de Moscou e Teerã para manter sua estrutura bélica, o Brasil investe em programas próprios de modernização e cooperação com potências da OTAN, como os Estados Unidos, França e Suécia. Em termos de capacidade de projeção regional, o Brasil é visto como uma força de dissuasão, enquanto a Venezuela enfrenta dificuldades até para abastecer suas aeronaves.

A disparidade entre os dois países reforça o isolamento de Caracas e o risco de colapso completo de suas forças armadas em um eventual confronto direto. Ainda assim, o regime de Maduro aposta no discurso nacionalista e na aliança com potências rivais do Ocidente para se manter como um ator estratégico no tabuleiro geopolítico latino-americano. (Foto: divulgação; Fonte: Folha de SP)

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