A Natura anunciou a venda da Avon Internacional por apenas £1 (cerca de R$ 7,23), valor simbólico inferior ao preço de uma passagem de metrô no Rio de Janeiro ou de um chiclete. O acordo não abrange o mercado russo nem as operações da Avon na América Latina, que permanecem sob o controle da Natura.
A transação ocorre três dias após a venda das operações da Avon em seis países latino-americanos por US$ 1 (R$ 5,30). No mundo corporativo, valores simbólicos costumam ser aplicados em ativos com alto endividamento ou histórico de prejuízos.
A Avon Internacional mantém empréstimos com a própria Natura, sua atual controladora, que, junto à Avon Card — vendida recentemente — vinha impactando negativamente os resultados do grupo. No segundo trimestre, as operações da Avon Internacional e da Card registraram prejuízo de R$ 250 milhões, de acordo com analistas.
O acordo com a empresa americana de investimentos Regent prevê pagamentos adicionais condicionados a metas futuras, os chamados earn-outs, e outros pagamentos contingentes, limitados a £60 milhões (R$ 433,8 milhões).
Segundo comunicado da Natura, os recebíveis de empréstimos detidos pela companhia contra a Avon Internacional “serão capitalizados antes do fechamento, e o restante será transferido à compradora”. Analistas da XP estimam esses empréstimos em R$ 1,6 bilhão e apontam que o negócio deve ter impacto pontual no caixa da Natura, já que a maior parte do crédito já foi utilizada.
Além disso, a Natura oferecerá uma linha de crédito garantida à Avon Internacional de até US$ 25 milhões, com vencimento em cinco anos após o primeiro saque, que poderá ser realizado em até um ano após a conclusão da transação. A marca na América Latina permanece com a Natura, enquanto o direito de uso da marca nos demais países será transferido ao comprador, sem necessidade de pagamento de royalties para qualquer das partes.
O fechamento do negócio depende de aprovações regulatórias, como de costume, com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2026. A Natura continua avaliando estratégias para o mercado russo da Avon, que representa menos de 10% das vendas da unidade internacional, segundo estimativa da XP.
A aquisição da Avon pela Natura ocorreu em 2020, com o objetivo de expandir a presença internacional do grupo, quando a empresa americana era avaliada em cerca de US$ 2 bilhões.
Desde então, a marca enfrentou dificuldades e entrou em recuperação judicial nos Estados Unidos no ano passado. A Natura, nesse período, também se desfez da The Body Shop e da australiana Aesop, vendida para a L’Oréal em 2023. (Foto: PixaBay; Fonte: PEGN)

