Mendonça tem ‘discussão acalorada’ com advogados de Vorcaro

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça adotou um tom duro em conversas recentes com a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que busca firmar um acordo de delação premiada no âmbito das investigações que o envolvem.

Segundo reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de SP, o magistrado demonstrou insatisfação com o conteúdo já encaminhado pelos advogados de Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), apontando que as informações apresentadas ainda não atendem ao nível de detalhamento esperado.

Os anexos da proposta de colaboração foram protocolados nesta quarta-feira (6) junto às autoridades responsáveis. No entanto, a avaliação inicial dentro do gabinete do relator é de que o material não avança sobre pontos considerados centrais da investigação que envolve o ex-controlador do banco Master.

Entre as lacunas apontadas está a ausência de esclarecimentos sobre possíveis conexões de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Registros obtidos pela PF indicam que o ex-banqueiro teria se reunido com o parlamentar na residência oficial do Senado, informação que também aparece em diálogos atribuídos a ele com a ex-namorada Marta Graeff, extraídos de aparelhos apreendidos.

Outro ponto sensível envolve a Amprev (Amapá Previdência), que teria aplicado cerca de R$ 400 milhões em títulos de alto risco vinculados ao banco. À época, a gestão da entidade estava sob responsabilidade de Jocildo Silva Lemos, investigado pela PF e apontado como aliado político de Alcolumbre.

A reportagem não cita nada sobre Alexandre de Moraes e Toffoli.

Nos bastidores, a avaliação é de que Mendonça, que conduz o caso, considera insuficiente o material apresentado até agora diante do que já foi levantado nas apurações da Polícia Federal contra o ex-banqueiro.

Caso a delação não seja homologada, a defesa de Vorcaro pode recorrer à Segunda Turma do STF para tentar reverter a decisão e, eventualmente, buscar sua soltura.

De acordo com a dinâmica do acordo em negociação, os anexos apresentados devem detalhar episódios específicos de irregularidades, com descrição de fatos, identificação de envolvidos e eventual indicação de provas. A partir desse conjunto, seriam discutidas condições como eventual redução de pena e valores de reparação ao Estado.

Por ora, a avaliação predominante entre autoridades é de que não há espaço para concessão de perdão judicial. Também estão em discussão possíveis multas e ressarcimentos ligados aos supostos prejuízos investigados.

O avanço das tratativas, segundo pessoas próximas ao processo, depende da disposição de Vorcaro em aprofundar revelações sobre o esquema sob apuração. Inicialmente, havia dúvidas sobre o alcance das informações que ele estaria disposto a fornecer, especialmente em relação a eventuais figuras de alta relevância institucional. Depois, seus advogados passaram a afirmar que não haveria restrições nesse sentido.

Atualmente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem citados em menções e conversas encontradas em dispositivos do ex-banqueiro, embora ambos neguem qualquer irregularidade.

Outro investigado no caso, Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro — também alterou sua estratégia jurídica e avalia fechar um acordo de colaboração semelhante. E mais: Flávio Bolsonaro escala ‘tropa digital’ nas redes sociais. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)

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